Mauro Mendes questiona migração de votos para Lula, prevê crise fiscal e cobra investigação imparcial de denúncias
Senador eleito por Mato Grosso considera que crescimento eleitoral do petista merece análise e alerta para o endividamento do país e o déficit da Previdência.
O ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) afirmou que a migração de votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições presidenciais, merece ser estudada. Durante entrevista, ele demonstrou surpresa com o crescimento da votação do petista, especialmente diante do perfil político dos eleitores de candidatos de direita que ficaram fora da disputa. Mendes citou o eleitorado de Ronaldo Caiado como exemplo e questionou a possibilidade de esses votos terem migrado majoritariamente para Lula. Apesar da avaliação, evitou tirar conclusões sobre o resultado. "É algo que merece ser estudado. E eu não vou fazer nenhuma ilação", declarou.
Ao comentar sua atuação no Senado, Mauro Mendes afirmou que pretende priorizar os interesses nacionais, independentemente das divergências políticas com o governo federal. "Minha postura é trabalhar pelo Brasil. Nenhum senador pode trabalhar contra o nosso país", disse. O ex-governador também alertou para o que considera uma grave crise fiscal em formação, citando o endividamento público e o desequilíbrio das contas previdenciárias. Segundo ele, o Brasil possui uma dívida superior a R$ 11 trilhões e enfrenta um déficit da Previdência que ultrapassa R$ 500 bilhões. Os valores foram apresentados pelo senador eleito durante a entrevista.
Mendes criticou a dimensão dos debates sobre emendas parlamentares diante dos desafios fiscais. "Enquanto o Congresso fica brigando por migalhas de emendas parlamentares na casa de 50 bilhões, só o déficit da Previdência já vai ultrapassar 500 bilhões, dez vezes mais", afirmou. Para ele, o cenário exige atenção do Congresso Nacional e medidas para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas. O senador eleito disse que sua avaliação não representa um desejo de crise, mas um alerta fundamentado nos indicadores econômicos que considera preocupantes.
O ex-governador também abordou as denúncias de corrupção envolvendo autoridades e familiares de agentes políticos, incluindo acusações relacionadas ao presidente Lula e a um de seus filhos. Mendes defendeu que todas as suspeitas sejam investigadas com imparcialidade, sem antecipação de culpa ou utilização eleitoral dos casos. "O que é verdade e o que não é verdade merece uma apuração com mais isenção", afirmou. Ele também lamentou a politização das investigações e defendeu que os procedimentos sejam conduzidos pelas autoridades competentes, sem interferência de disputas partidárias.
Eleito senador por Mato Grosso em outubro, Mauro Mendes assumirá o mandato em fevereiro de 2027. Suas declarações sinalizam a intenção de adotar uma postura de cobrança sobre a política econômica do governo federal, ao mesmo tempo em que defende a atuação institucional do Senado e a apuração independente de denúncias.