Viúva diz que marido reagiu após bandido ameaçar matar filhas
Maria da Guia Trindade: "Eles destruíram uma família por causa de nada"
O sentimento de revolta ainda é grande para a família do garçom Fabrício César de Queiroz Trindade, de 39 anos. Ele foi assassinado após reagir a um roubo na sua residência, no último sábado (17), em Cuiabá.
A viúva Maria da Guia Trindade contou que o marido só reagiu porque um dos criminosos ameaçou matar suas duas filhas.
“O bandido que estava desarmado falava o tempo inteiro para o seu cúmplice - que estava com uma arma - para atirar nas crianças”, afirmou.
Maria Trindade disse que, na noite do crime, ela, o marido, e mais dois vizinhos estavam assando carne na área da casa, localizada no residencial Santa Terezinha, que fica atrás do Bairro Parque Cuiabá, na Capital.
Segundo a viúva, em um determinado momento, ela abriu o portão para aguardar uma outra vizinha que estava para chegar.
“A minha filha mais velha ainda pediu para andar de bicicleta na rua e eu deixei enquanto aguardava a vizinha”, contou.
“Logo depois eu vi dois rapazes se aproximando, um estava na frente e outro, logo atrás. Até pensei que fosse o filho da minha concunhada. Quando eu olhei para atrás, eles já estavam com arma apontada para os nossos convidados, mandando todos irem para o fundo e calar a boca”, complementou.
Conforme Maria Trindade, quando os bandidos anunciaram o assalto, Fabrício estava dentro do quarto, trocando o CD do som.
“Eu peguei as meninas e fui me direcionando para os fundos. Quando vi o Fabrício, pedi que ele fosse também, nem falei nada para ele do que estava acontecendo”, disse.
De acordo com a viúva, quando os criminosos viram o seu marido, começaram a agredi-lo, pedindo dinheiro.
“Daí o que estava desarmado começou a chutar ele, dando soco e falou para o outro atirar nas nossas filhas. Nervoso, ele (Fabrício) pegou uma garrafa e acertou o pescoço dele, depois outro já atirou no meu marido”, afirmou, emocionada.
Após os disparos, os criminosos fugiram em um Fiesta prata - que estava nas proximidades - levando R$ 500 da família.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e constatou a morte de Fabrício ainda no local. Ele foi enterrado nesta segunda-feira (19), no cemitério Bom Jesus de Cuiabá.
A Polícia Militar fez rondas pela região, mas não encontrou os bandidos.
O delegado Guilherme Bertolli, da Delegacia de Roubos e Furtos da Capital (Defr), abriu um inquérito para investigar o caso.
Maria Trindade pede que a justiça seja feita e que os criminosos sejam condenados.
“Eles destruíram uma família por causa de nada. Eu sei que, mesmo que a Justiça seja feita, nada vai trazer ele de volta, mas eu quero que eles paguem pelo que fizeram”, pontuou.