Estrutura do GAFFFF Sorriso ganha forma e entra na etapa decisiva de montagem
TJ estipula fiança de R$ 6 milhões a 'golpista' em Mato Grosso
Walter Dias deverá cumprir medidas cautelares como o uso regular de tornozeleira
Por unanimidade, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) concedeu em sessão nesta terça-feira (8) liberdade ao empresário Walter Dias Magalhães Júnior, preso pelo Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) no dia 27 de agosto na Operação Castelo de Areia, pela suspeita de integrar uma quadrilha que deu golpes de até R$ 50 milhões em Mato Grosso.
Para deixar a cadeia, foi estipulado pagamento de fiança no valor de R$ 6,160 milhões, o que faz ser uma das mais elevadas da história do Judiciário mato-grossense.
Superior a este valor, só a do empresário Valdir Piran que pagou R$ 12 milhões para deixar a cadeia após ser preso preventivamente pela Polícia Civil na quarta fase da Operação Sodoma da Polícia Civil.
Ainda que o valor milionário seja pago, Walter Dias deverá cumprir medidas cautelares como o uso regular da tornozeleira eletrônica, comparecimento mensal a Justiça para informar suas atividades, proibição de ausentar-se de Cuiabá sem aviso prévio a Justiça, proibição de manter contatos com as vítimas ou testemunhas arroladas no processo criminal bem como não frequentar bares, casas de jogo e boates, permanecer recolhido no período noturno, nos finais de semana e feriados, não portar armas e tampouco ingerir bebida alcóolica.
A defesa do empresário Walter Dias Magalhães Junior sustentou no Tribunal de Justiça que estavam preenchidos todos os requisitos para responder ao processo em liberdade, pois tem residência fixa e não ficou comprovado nenhuma ação de sua autoria para obstruir as investigações. Além disso, ressaltou que nenhum dos crimes ao qual é suspeito foi cometido com violência ou grave ameaça.
O empresário Walter Dias é suspeito de aplicar golpes milionários intermediados pelas empresas American Business Corporation Shares Brasil Ltda e Soy Group Holdin America Ltda.
O esquema atingia empresários com a promessa de que seria concedido empréstimo financeiro com juros abaixo do mercado. No entanto, uma quantia era solicitada a título de antecipação e o dinheiro de empréstimo jamais era liberado.
A Operação “Castelo de Areia” culminou em denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra oito pessoas, por constituição de organização criminosa e estelionato. As investigações identificaram vítimas em Mato Grosso, Ceará e Bahia.
Já são réus pela suspeita de integrar o grupo criminoso o ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, o ex-vereador João Emanuel Moreira Lima e o seu pai, o juiz aposentado Irênio Lima Fernandes, e o irmão Lázaro Moreira Lima que é advogado.
Ainda respondem ao processo em trâmite na Vara Especializada Contra o Crime Organizado Shirlei Aparecida Matsouka Arrabal e Marcelo de Melo Costa, o contador Evandro José Goulart e o comerciante Mauro Chen Guo Quin.