Tampinha dá golpe político e assume vaga na Câmara que estava reservada para Xuxu
Segundo-suplente chegou a renunciar candidatura de prefeito de Sorriso para estrear como deputado federal
José Augusto Curvo, o Tampinha (ex-PDT e hoje PSD), aos 67 anos, deu um golpe político nunca imaginado pelos colegas da bancada federal e já reassumiu provisoriamente cadeira em Brasília. Pelo acordo “costurado” entre eleitos em 2014 pela coligação Coragem e Atitude para Mudar I, Victório Galli (PSC) aceitou sair de licença por 121 dias.
E sua vaga deveria ser ocupada pelo segundo-suplente Ederson Dal Molin, o Xuxu, condicionante para este abrir mão da candidatura a prefeito de Sorriso. Alimentado pela expectativa de se tornar o primeiro federal de Sorriso, Xuxu viajou à Capital Federal com terno novo para a posse. Eis que descobriu nesta segunda que, para surpresa geral, Tampinha já tinha ocupado o espaço.
Este Blog apurou com exclusividade que Tampinha havia aceitado abrir mão da vaga, desde que os colegas da bancada mato-grossense ajudassem-no a ocupar algum cargo federal. Criou-se expectativa dele assumir a diretoria dos Correios, numa articulação junto ao presidente Michel Temer. A articulação não deu certo. Foi oferecido, então, assessoria parlamentar a Tampinha. Apesar de ter muito apego a cargo, ele não aceitou, sob alegação de que seria “rebaixado” em grau de importância política.
A partir daí, passou a se movimentar em silêncio. Esperou Victório oficializar a licença e, respaldado juridicamente, se apresentou à Mesa Diretora na última sexta e tomou posse. O caso só veio a público nesta segunda, quando Xuxu apareceu para reivindicar a vaga e descobriu o golpe político.
Xuxu, que teve 3.567 votos a menos que Tampinha (30.542 a 34.109 votos) permanece em Brasília, mas dificilmente conseguirá tirar Tampinha da vaga. Ele é vice-prefeito de Sorriso, comandado por Dilceu Rossato, de quem se tornou adversário político.
Victório, por sua vez, buscou informações para saber se poderia anular o pedido de licença, mas isso não é possível, ou seja, terá de permanecer afastado pelos quatro meses previstos.
Esta e a terceira vez que Tampinha ocupa vaga na Câmara. Ele foi federal de 91 a 94. Depois caiu no ostracismo político. Nas urnas de 2014, ficou na suplência. Em abril deste ano, após deixar o PDT e se filiar ao PSD, ocupou cadeira do titular Ezequiel Fonseca (PP), também por 121 dias. Na época, Ezequiel tentou, sem êxito, antecipar o retorno para votar no processo de impeachment da presidente Dilma. Agora, Tampinha reassume, desta vez no lugar de Victório e "queimado" politicamente com os colegas federais e com a credibilidade e confiança "arranhadas".