Estrutura do GAFFFF Sorriso ganha forma e entra na etapa decisiva de montagem
Sorriso: “atendimento será de portas fechadas”, diz secretário sobre Hospital Regional
João Silva afirma que só serão atendidos pacientes com encaminhamentos
Sorriso cresce com pressa de cidade grande, mas, apesar da solidez econômica mantida especialmente pelo agronegócio, também sofre com problemas na área da saúde. O Hospital Regional do município – mantido pelo Governo do Estado - oferece serviços para a micro região do Teles Pires, a qual abrange 15 municípios, totalizando uma população aproximada de 500 mil habitantes. Mas, há tempos os profissionais da unidade médica sofrem com os atrasos salariais e os atendimentos têm sido prejudicados também pela falta de insumos hospitalares.
Em entrevista ao Portal Sorriso MT, o secretário de Estado de Saúde (SES), João Batista Pereira da Silva, informou que a partir de novembro o atendimento do HRS será feito definitivamente de “portas fechadas”. Ele explicou que serão atendidos apenas os pacientes encaminhados via central de regulação com solicitação proveniente das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e das cidades que fazem parte do consórcio Vale do Teles Pires.
Já no setor de urgência e emergência serão atendidos apenas os pacientes levados pelo Corpo de Bombeiros ou os que tenham encaminhamento. Desta forma, os pacientes que seguiam voluntariamente ao HRS não mais serão atendidos.
Menos pacientes de Sorriso
O secretário alega que adotará a permanência desse novo “modelo” porque os demais municípios do consórcio quase não estão sendo contemplados.
Segundo ele, 92% dos pacientes atendidos no HRS são moradores de Sorriso. “O atendimento do HRS sempre foi feito de portas abertas. Mas o Hospital é regional e deve atender pacientes referenciados pelos 15 municípios que integram o consórcio. Nesse movimento que os médicos disseram que diminuíram os atendimentos, vê-se nitidamente que outros municípios têm conseguido referência”, argumentou.
Questionado sobre onde os moradores sorrisenses serão atendidos – já que o objetivo é ampliar o quantitativo de outros municípios -, o secretário diz que a partir de agora parte dos pacientes de Sorriso deverá ser atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e nas unidades de atenção básica (PSFs) embora estes espaços médicos não atendam casos graves (de alta e média complexidade).
“Foi firmando um acordo com o prefeito de Sorriso e integrantes do consórcio. Não é só Sorriso que deve ser contemplado com os atendimentos. Por isso, a partir de novembro o HRS atenderá com as portas fechadas”.
Segundo dados do HRS, "mais de 80% dos pacientes de Sorriso permanecem menos de 24 horas no hospital e parte desse volume sofre com doenças de baixa complexidade e poderia ser tratada nas unidades básicas de saúde ou na UPA, já que alguns não teriam necessidade de internação hospitalar".
Com a alteração no atendimento do HRS, o secretário de Saúde do Estado prevê que a Prefeitura de Sorriso "adote estratégias" para dar conta da demanda. “Qualquer paciente de Sorriso estava sendo encaminhado, inclusive de forma espontânea, e era atendido no Hospital Regional. Mas precisamos mudar essa sistemática. O hospital pertence à regional. Todos os municípios devem ter direito ao atendimento”, acrescentou João Silva.
Outro lado
Procurada pela reportagem do PS, a secretária municipal de saúde, Ivana Mara Matos Mello, diz que a situação retratada pela Secretaria Estadual de Saúde não procede e que, por isso, está elaborando um documento com os dados completos. “O secretário está mal informado”, disse.
A Prefeitura ressaltou, por meio da assessoria, que o número de atendimentos na UPA e o índice de resolutividade são altos.
Informou, ainda, que é solicitado o encaminhamento ao HRS apenas quando há casos de média e alta complexidade, já que além da UPA, o município conta, ainda, com os PSFs e o Ambulatório Multiprofissional Especializado (AME).
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Novo modelo, mas e o pagamento?
A “nova forma” de atendimento no Hospital Regional de Sorriso proposta pelo Governo do Estado já vem sendo adotada desde o último dia 12 deste mês por decisão do corpo clínico. Isso porque o atraso nos repasses aos fornecedores e prestadores de serviço resultou no ajuste de escalas dos profissionais médicos, já que alguns saíram da unidade enquanto outros reduziram a carga horária para atender em outras instituições onde o salário é pago em dia.
O Governo do Estado deve ao HRS R$ 7,3 milhões. Questionado sobre o prazo para pagamento desse montante, o secretário João Silva disse que não foi notificado sobre a ação do Ministério Público Estadual que determinou o pagamento no prazo de dez dias a contar da intimação da decisão.
Apesar de ressaltar a forma como o HRS passará a atender os pacientes, o secretário informou que o Governo ainda está procurando uma maneira efetiva para manter em dia os repasses mensais que ultrapassam R$ 3 milhões, bem como formas de quitar as dívidas em atraso.
Servidores da unidade, fornecedores de insumos e prestadores de serviço estão sem receber os pagamentos de agosto e setembro. Sobre esses atrasos, João Silva disse que até o fim do mês deverá ser paga a competência de agosto, mas não confirmou a confecção de um cronograma para quitação de toda a dívida e dos próximos pagamentos.
“Estamos fazendo contingenciamento junto às outras secretarias para que tenhamos disponibilização de recursos. Estamos finalizando a competência de agosto e estamos empenhando setembro”, declarou o chefe da pasta.
Transferência de pacientes?
Por causa do ajuste de escalas devido à falta de profissionais médicos, o corpo clínico do HRS solicitará à Central de Regulação a transferência de parte dos pacientes internados nas enfermarias médica e cirúrgica, assim como na Obstetrícia, para outras unidades hospitalares do Estado.
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Questionado sobre a transferência, o Secretário de Estado de Saúde afirmou que ela não será feita. “Isso não procede. Se fizerem isso, faço denúncia no Conselho Regional de Medicina e vou pedir a rescisão do contrato deles [médicos]. Se eles não quiserem trabalhar, questionem o contrato e peçam a rescisão”, disse João Silva.
Já o corpo clínico do hospital informou ao Portal Sorriso MT que se os pagamentos forem colocados em dia e a SES se programar com um calendário de repasses, esses pacientes não precisarão ser transferidos.
Na situação atual, além da redução dos profissionais, o Hospital Regional de Sorriso tem enfrentado uma situação caótica com a escassez de insumos hospitalares.
Hoje o HRS conta com 71 médicos, mas já chegou a a ter 86 profissionais no corpo clínico e já foi considerado o melhor hospital do Estado de Mato Grosso no desempenho de índices.
Apesar dos atrasos salariais, os profissionais têm mantido o atendimento, mesmo reduzido, com suporte 24 horas.
O presidente do consórcio de saúde Teles Pires, Otaviano Pivetta, foi procurado pelo PS, mas não atendeu aos telefonemas, assim como a diretora, Ligia Souza Leite.
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