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Servidores da UFMT entram em greve contra a PEC 241 que limita gastos
Proposta que tramita no Congresso congela investimentos por 20 anos
Servidores que atuam nos setores administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) entraram em greve nesta segunda-feira (24) contra a aprovação da PEC 241, que limita os gastos públicos pelo período de 20 anos. A proposta elaborada pelo governo Michel Temer deve ser votada nesta semana em segundo turno na Câmara Federal.
Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação da UFMT (Sintuf), Léia de Souza Oliveira, a PEC representa um retrocesso para a educação.
"Essa PEC terá vários desdobramentos, como a redução de 60% das vagas do Programa Universidade Aberta do Brasil, que é uma forma de democratização do acesso, além de provocar um arrocho salarial muito grande. Será o fim dos concursos públicos. Os jovens de 17 anos que estavam se organizando para passar em um concurso público deve adiar esse sonho para daqui a 20 anos", declarou.
Os servidores mato-grossenses aderiram a uma greve nacional, que deve ter início nesta segunda-feira em 25 universidades federais, segundo a sindicalista.
"Vai voltar ao passado, à década de 90. Não sabemos como será o futuro da nação. É um retrocesso", afirmou Léia.
Ao todo, serão 2.700 servidores em greve nos campi de Rondonópolis, Barra do Garças e Sinop, além de Cuiabá. "Só iremos encerrar a greve depois a PEC for derrotada no Congresso", pontuou.
Teto de gastos
A PEC 241 estabelece que as despesas da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) só poderão crescer conforme a inflação do ano anterior.
Pela proposta, a regra valerá pelos próximos 20 anos, mas, a partir do décimo ano, o presidente da República poderá propor uma nova base de cálculo ao Congresso.
Em caso de descumprimento, a PEC estabelece uma série de vedações, como a proibição de realizar concursos públicos ou conceder aumento para qualquer membro ou servidor do órgão.
Inicialmente, a Proposta de Emenda à Constituição estabelecia que os investimentos em saúde e em educação deveriam seguir as mesmas regras.
Diante da repercussão negativa e da pressão de parlamentares aliados, o Palácio do Planalto decidiu que essas duas áreas deverão obedecer ao limite somente em 2018.