Estrutura do GAFFFF Sorriso ganha forma e entra na etapa decisiva de montagem
Secretário diz que prisão de sua mulher foi jogada eleitoral
Neri Geller afirmou que denúncia era, na verdade, para pegá-lo
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, classificou como uma “armação” o episódio que culminou na prisão de sua esposa, a empresária Judite Maria Piccini, no dia 30 de agosto, por crime eleitoral e posse irregular de munições.
A empresária foi presa, em flagrante, no município de Lucas do Rio Verde após uma denúncia feita através do aplicativo Pardal, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE).
“Isso que aconteceu com a minha esposa, no meu posto de gasolina, vocês podem olhar nos autos do processo; teve denúncia porque queriam me pegar. Foi uma jogada que inclusive nos favoreceu, porque a sociedade reconheceu que aquilo foi uma armação. Tanto que nós ganhamos a eleição lá em Lucas do Rio Verde”, disse ele, se referindo ao apoio ao candidato Fiori Binotti (PSD), que venceu a disputa no município.
De acordo com o secretário, os santinhos que foram encontrados pela polícia durante a busca e apreensão, estavam na loja de conveniências, e não no escritório de sua mulher.
Ele disse, ainda, que as munições apreendidas pertenciam ao “Cabo Souza”, que segundo ele, teria sido seu assessor em Brasília.
“Tinham sim balas de calibre 38, que estavam lá e que são do Cabo Souza, que trabalhou comigo. Ele é um cabo aposentado e era meu assessor em Brasília. Portanto, aquelas balas estavam lá há mais de dois anos numa gaveta do escritório”, disse.
Geller comparou o incidente com sua esposa aos fatos ocorridos com o atual prefeito de Sinop, Juarez Costa (PMDB), que teve mandados de busca e apreensão cumpridos em sua residência, na sede da prefeitura e na secretaria de Assistência Social, comandada pela esposa do prefeito, Ivone Latanzi Costa.
Na ocasião, Juarez também atribuiu a ação - promovida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) - a uma possível articulação da oposição.
Questionado se tais fatos podem servir de munição para outros candidatos atingirem a campanha de Pinheiro, o ex-ministro foi incisivo: “Pode ser que sim, e eu quero que use”.
“Não tenho medo nenhum de fazer qualquer enfrentamento com relação a isso. Obviamente nós não queremos trazer isso na pauta, mas se precisar, isso não vai nos atingir porque nós fizemos a coisa certa”, pontuou.
Entenda o caso
A prisão da esposa de Geller ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz eleitoral Gleidson de Oliveira Grisoste.
Uma denúncia feita pelo aplicativo Pardal, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), levou a polícia até o Posto de Combustível Geller, da família do ex-ministro.
Notas fiscais e vales-combustíveis – que supostamente estavam sendo utilizados para a compra de votos – foram apreendidos ao lado de materiais de campanha do candidato a prefeito Luiz Binotti (PSD) e de alguns vereadores.
Computadores e 16 munições de calibre 38 foram apreendidos.
Judite Maria Piccini permaneceu presa durante a madrugada do dia 1º de outubro e foi liberada após a Justiça conceder a liberdade provisória.
A empresária deve responder em liberdade pelos fatos.