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Se arrecadação do governo não crescer, Bolsa Família poderá sofrer cortes, avisa ministro
Berzoini afirmou que programas sociais dependem do dinheiro que entrar nos cofres da União
O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, afirmou nesta terça-feira (8) que eventuais cortes nos programas sociais do governo — como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida — poderão ocorrer caso a arrecadação do governo não aumente nos próximos meses.
Berzoini falou depois de reunião da coordenação política do governo que aconteceu no Palácio do Planalto com a presidente Dilma Rousseff e outros dez ministros.
Ele disse que o governo tem a obrigação de dar curso ao que está contratado em termos de investimentos mas que planejamentos sobre a manutenção destes investimentos precisarão estar condicionados ao que prevê a estratégia fiscal do governo.
O ministro explicou que o governo fará um esforço com toda a sociedade e o Congresso para buscar alternativas de baixo impacto na inflação mas que garantam mais dinheiro aos cofres da União. Ele disse que a presidente Dilma não quer fazer imposições e sim dividir a responsabilidade sobre a necessidade de um superávit orçamentário com todos.
— O governo sabe das dificuldades de se criar novos impostos. Mas queremos dialogar e buscar juntos uma alternativa pois precisamos perseguir o superávit fiscal [economia do governo para pagar juros da dívida].
Especula-se, em Brasília, que o governo pode aumentar impostos cuja decisão não depende de acordo com o Congresso Nacional. Na cesta de tributos, estaria um imposto que incide sobre a venda da gasolina, por exemplo.
Berzoini disse, porém, que os recursos para os programas sociais estão previstos no Orçamento de 2016 enviado ao Congresso, mas que a aplicação futura de dinheiro neles e em projetos de Habitação e Educação precisa estar atrelada ao dispositivos constitucionais. Ou seja, não poderá haver gastos que ponham em risco o ajuste fiscal pretendido pelo governo.
Em outras palavras, o ministro das Comunicações afirmou que tudo, daqui pra frente, precisará ser planejado tendo em vista o saldo negativo do Orçamento e que não se pode garantir investimentos que venham a aumentá-lo.
DRU
O ministro também exibiu cautela quanto ao uso de recursos de contribuições sociais previsto na DRU (Desvinculação de Receitas da União), dispositivo que permite ao governo gastar dinheiro fora do Orçamento Fiscal declarado ao Congresso. Ele salientou, mais uma vez, que nada pode gerar despesas não adequadas à estratégia fiscal.
— Não pode haver desacordo com a proposta do governo para não haver impacto relevante nas contas.