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Riva reconhece que fez pressão política pelo VLT em Cuiabá
Ex-presidente da AL é ouvido por parlamentares membros da CPI que investiga obras do Mundial
O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva, compareceu à Casa de Leis, para prestar esclarecimentos sobre a escolha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), durante os preparativos para a Copa do Mundo na Capital.
Os esclarecimentos foram prestados aos deputados membros da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) das Obras da Copa, nesta terça-feira (10).
Aos deputados, Riva confessou ter feito pressão política para que o Governo do Estado escolhesse pela implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Varzea Grande.
“Fiz muita pressão para implantar o VLT em Cuiabá, não vou negar. Fiz pressão por entender que o VLT era o melhor”, declarou.
Além disso, o político afirmou que o VLT não foi escolhido em função da Copa. “Já ouvi pessoas falando muita baboseira, muita besteira. O VLT não surgiu de uma viagem a Portugal, nem de uma decisão do Eder Moraes".
Veja os principais trechos da oitiva de José Riva à CPI da Copa do Mundo:
Copa em Cuiabá
O ex-deputado José Riva declara que antes de Cuiabá ser escolhida como sub-sede da Copa do Mundo de 2014, toda a classe política do Estado se empenhou para que a Capital realizasse alguns dos jogos do Mundial de Futebol.
“Meu envolvimento na questão da Copa foi do mesmo tamanho de todos os políticos. Houve o envolvimento de toda a classe política de Mato Grosso. Sempre me empenhei, pois achava que seria uma coisa boa. Até porque naquele momento havia pesquisas que mostravam 83% das pessoas queriam a Copa em Cuiabá”, disse.
Criação da Agecopa
Riva disse que o modelo da Agencia Extraordinária da Copa do Mundo (Agecopa) foi escolhido pelo então governador Blairo Maggi (PR).
“Eu não concordava. Achava que um modelo de colegiado não era o adequado, pois caso tivesse que responsabilizar alguém por algo seria muito difícil”, afirmou.
A Assembleia não tomou decisão de criar a Agecopa, essa foi uma decisão do Maggi”, completou.
Segundo o ex-parlamentar, Maggi definiu esse modelo pois dizia que queria o envolvimento de toda a sociedade.
“O governo entendia que naquele momento instituir uma agência agregava pessoas de vários segmentos, de alguns partidos políticos, possibilitando maior envolvimento. não acredito que ele [Maggi] tenha criado a agência por receio de perder a eleição”, disse.
Extinção da Agecopa e criação da Secopa
O ex-parlamentar explica que a extinção da Agecopa foi uma decisão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
Quanto a mudança para a Secretária Extraordinária da Copa (Secopa), Riva relembra que a criação da pasta foi aprovada pela Assembleia Legislativa.
“A extinção da Agecopa para criar a secretaria foi decisão do governador Silval [...] Após uma reunião que ele teve no Palácio Paiaguás com deputados [...] As coisas não estavam andando. Havia temor de que as obras não ficassem prontas”, afirmou.
“Governo convidou deputados para reunião e a discussão fechou quase que por unanimidade pela criação da Secopa. A escolha do Eder Moraes para comandar a pasta foi do Silval”, completou.
Escolha do VLT
O ex-deputado José Riva declarou que a “escolha do VLT não foi por conta da Copa do Mundo”.
Aos deputados, ele afirmou que um estudo para a implantação do VLT foi apresentado ainda em 1998 e retomado no ano de 2008.
Questionado sobre a viagem feita a Portugal - ao lado do ex-governador Silval Barbosa, do ex-deputado Sérgio Ricardo e o atual presidente da Assembleia, Guilherme Maluf (PSDB) -, para conhecer o VLT instalado na cidade do Porto, Riva explicou que a viagem foi organizada pelo Governo do Estado e que a escolha do modal não foi feita por conta deste fato.
“Já ouvi pessoas falando muita baboseira, muita besteira. O VLT não surgiu de uma viagem a Portugal, nem de uma decisão do Eder Moraes. VLT não foi escolhido em função da Copa”, afirmou.
“Ainda em 1998 Bento Porto já havia apresentado um estudo aqui na AL para implantar o VLT. Essa discussão voltou aqui pra casa em 2008. Em uma reunião de Colegiado, alguns técnicos vieram aqui [Assembleia Legislativa] explicar o que era o VLT”, disse.
Fiscalização do VLT
O ex-presidente da Casa de Leis disse que defendeu na Assembleia a contratação de uma empresa para fiscalizar o VLT, “pois entendia que AL e o Tribunal de Contas do Estado não tinham condições de fazê-lo”.
No entanto, disse ter sido voto vencido na Casa.
“Chegamos a fazer uma licitação, que se não me engano ficou entre 3 e 4 milhões. Sabia que o TCE não tinha know hall para acompanhar e fiscalizar. Mas os deputados diziam que a contratação poderia pegar mal perante a sociedade, que poderia entender que a AL estava gastando valores indevidos”, declarou.
“Talvez, se tivessem feito essa contratação teríamos evitado prejuízo de milhões que aconteceram mais tarde. Mas eu fui voto vencido”, completou.
Riva admite pressão política para implantação do VLT
O ex-parlamentar confirmou ter feito pressão política para a escolha do VLT em Cuiabá e Várzea Grande.
“Fiz muita pressão para implantar o VLT em Cuiabá, não vou negar. Fiz pressão por entender que o VLT era o melhor”, declarou.
Problemas de gestão
Aos deputados, Riva também declarou que as falhas na condução do VLT foram causadas por problemas de gestão e que ocorreria mesmo se a escolha fosse pela construção do Bus Rapid Transit (BRT).
“As falhas na condução foram questão de problema de gestão. O mesmo ocorreria se fosse BRT, se fosse monotrilho ou qualquer outra coisa”, disse.
Sobre o estudo do VLT apresentado pelo engenheiro Massimo Giavina Bianchi, em audiência pública no ano de 2009 na Assembleia Legislativa, Riva disse que estudo não serviu pra nada.
“Ninguém usou esse estudo. Não precisava aprofundar muito para saber que o VLT era melhor modelo. Eu, por exemplo, defendia o VLT antes de qualquer estudo”, afirmou.
“Fui a Lisboa, em ruas com VLT e BRT. Vi que onde tinha o BRT, comércios estavam fechados, pois o BRT chacoalhava obras físicas. Dependia de muita intervenção, poluição sonora. Tinha convocação que VLT era melhor. Mas não posso responder por uma questão de gestão”, completou.
“Não convenci ninguém”
O líder do Governo, deputado Wilson Santos (PSDB), questiona Riva de que forma ele conseguiu convencer os demais deputados para escolherem o VLT.
Riva diz que não convenceu ninguém.
“Eu não convenci ninguém. Antes mesmo da audiência aqui nessa Casa, 13 deputados já se manifestavam a favor de VLT. Nunca convenço deputado algum. Nunca fui a Brasília tratar de VLT, me restringi a fazer a defesa do modal aqui na Casa. Fazia pressão política em nome dos mais de 70% da população que, conforme pesquisas, defendiam a implantação do modal”, declarou.
Wilson voltou a perguntar sobre a questão de ele ter defendido a contratação de uma empresa pra fiscalizar o VLT.
O ex-parlamentar admitiu que o deputado Romoaldo Júnior (PMDB) é quem achou que não era conveniente por causa do custo.
Após uma série de questionamentos do Wilson, Riva disse que estão tentando desmontar o modal do VLT é viável.
“Vossa excelência é parte desse grupo escalado para fazer isso”, disse Riva a Wilson.
José Riva ainda declarou que ouviu uma fala do governador Pedro Taques (PSDB), em que ele dizia que executaria a obra do VLT no primeiro ano de mandato, “o que não ocorreu”.
O ex-deputado completou dizendo que Wilson quer atribuir a ele uma culpa que não é dele.
Custo de infraestrutura de obra
O deputado Wilson Santos pergunta como Riva teve conhecimento do valor de R$ 696 milhões para implantação do VLT.
O ex-deputado disse que esse valor era custo de infraestrutura de obra e não incluía vagões.
“Então houve sonegação de informação?”, questionou Wilson.
Riva negou esta possibilidade.
Wilson lembrou que Riva espalhou outdoors pela cidade com a frase "Esse sonho está mais perto de acontecer" sobre o VLT. O líder do Governo então questiona se a veiculação publicitária tinha apenas interesses eleitoreiros, deixando de lado a questão técnica da obra.
“Fui defensor do VLT por convicção. De que era o melhor modal. A obra não se viabilizou por falha de gestão e isso não é problema da Assembleia”, respondeu.
“Qualquer estudo sério vai mostrar que o VLT é viável. Estudos sérios, não estudos encomendados como muitos que vejo por aí”, completou.