Incêndio em armazém da Bunge mobiliza bombeiros às margens da BR-163 entre Sorriso e Sinop
Próximo a desocupação, garimpeiros iniciam escavações até em “pasto”; veja o vídeo
O que se vê na “Nova Serra Pelada” são trabalhadores levantando acampamento e abandonado algumas frentes de trabalho
A proximidade com a possível retirada de garimpeiros que buscam ouro na Serra do Caldeirão, em Pontes e Lacerda, e a dificuldade em encontrar o minério mudou em pouco tempo a configuração do garimpo ilegal mais falado das últimas semanas no país.
O que se vê na “Nova Serra Pelada” são trabalhadores levantando acampamento e abandonado algumas frentes de trabalho instaladas no pico da serra, onde o acesso é mais difícil e demorado, e alguns abrindo escavações ao “pé” do Caldeirão, em uma área que antes era pasto de uma propriedade privada.
As escavações no chão começaram timidamente, mas precisaram de pouco tempo para se alastrar, como toda fofoca do garimpo. Em poucas horas, na manhã desta terça-feira (20), o que era gramado virou um enfileirado de “covas”. Algumas protegidas do sol, outras não. Homens se revezam na escavação, mas fácil de ser feita do que a perfuração de pedras, mas segundo os próprios aventureiros, sem a garantia de maiores pepitas de ouro, como no alto da serra. Para alguns, o que vale é tirar o máximo que puder para evitar maiores prejuízos antes de serem expulsos do local, em cumprimento à decisão da Justiça Federal.
O cearense Lauricelio Freitas Oliveira, 28 anos, interrompeu golpes de picareta na terra para se queixar um pouco do garimpo ao Olhar Direto, na manhã desta terça-feira. Ele acreditou na “fofoca das redes sociais sobre a facilidade de encontrar ouro em Pontes e Lacerda e veio para a cidade sem muitas ferramentas para o trabalho. Chegando no local, acreditou também na “fofoca”de que no pasto encontraria a tão procurada pedra com maior facilidade. Desde então, cava seu buraco sem cessar, se revezando com os colegas.
“Dizem que tem um cara ali que tirou já dois quilos de ouro aqui do chão”, diz, ao explicar a escolha pelo lugar da escavação. Enfia a mão no bolso, tira um saco plástico escuro amarrado. Ri. Mas não é de alegria. Debocha de si mesmo e da quantidade de ouro que encontrou. Mal da para ver os farelos dourados que se espalham na mão. “Com isso aqui eu não compro nem água mineral por aqui”, reclama. Já são quatro dias de trabalho para nada. A expectativa de ser expulso a qualquer momento o angustia.