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Prejuízos com seca no plantio da soja podem ultrapassar R$ 1 bilhão em Mato Grosso
A próxima safra é uma grande incógnita para Mato Grosso, diz Aprosoja
Os prejuízos provocados pela 'crise' climática em Mato Grosso podem ser superiores aos R$ 1 bilhão estimado. O valor, considerado 'tímido' pelo setor produtivo, refere-se apenas a redução de um milhão de toneladas na produção da oleaginosa no estado. Análises da situação das lavouras estão sendo iniciadas pelo grupo de trabalho formado pelo Governo de Mato Grosso e entidades produtivas.
A redução em um milhão da perspectiva de produção de soja em Mato Grosso, de 29 milhões de toneladas para 28 milhões, já causa um prejuízo para os produtores estimado em R$ 1 bilhão. Contudo, o montante tende a ser maior, uma vez que 3,1% da área precisou ser replantada. Além disso, há o atraso que a soja irá provocar na semeadura do milho segunda safra e os contratos futuros já fechados que poderão não ser cumpridos.
Mato Grosso já comercializou cerca de 60% da sua produção hoje estimada em 28 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O valor de R$ 1 bilhão estimado a princípio apenas com a redução da produção, conforme o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), Endrigo Dalcin, aponta ser um valor "tímido".
"Acho que esse valor é bem tímido. O que temos recebido de relatos do campo pode ultrapassar isso. O prejuízo é maior, estamos contabilizando só a soja. E o atraso do milho? Quanto isso vai custar na queda de produção? E os contratos que não serão cumpridos? E a área de 3% que teve de ser replantada? Então, esse prejuízo é direto da produção (R$ 1 bilhão). Isso é uma conta matemática só do que não será mais produzido (de 29 mi/t para 28 mi/t). Mas, e o que o produtor gastou a mais? E os prejuízos que ele teve e o que ele vai produzir menos em milho? Porque, aquela área que ele replantou era uma que ia receber milho", pontuou Dalcin em entrevista ao Agro Olhar.
Entre os prejuízos que Mato Grosso pode ter economicamente com a situação vivida no campo com a soja estão às demissões daqueles que trabalham nas lavouras. Segundo o presidente da Aprosoja-MT, o produtor irá buscar enxugar seus custos e tirar o pé dos seus investimentos, ou seja, os investimentos que deveriam ser realizados não serão mais feitos. Além disso, há as consequências que podem ser geradas em setores como do comércio nos segmentos de insumos, combustível, peças para caminhões e máquinas agrícolas, transporte de cargas, pneus, entre outros.
"Podemos ter uma redução de plantio da safra 2016/2017 justamente porque o produtor vai entrar endividado e nós sabemos que o cenário 2016 econômico federal não é muito promissor. Tivemos na quarta-feira, 16 de dezembro, mais um rebaixamento de classificação de risco e isso é ruim, porque vamos passar um 2016 difícil. A próxima safra é uma grande incógnita para Mato Grosso", frisou.