Polícia indicia ex-vereador e comparsas
João Emanuel é acusado de crimes de estelionato e associação criminosa
O inquérito policial da operação “Castelo de Areia” foi finalizado e enviado ao Ministério Público do Estado (MPE), onde aguarda oferecimento da denúncia. Foram indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa o ex-vereador e advogado João Emanuel, Shirlei Aparecida Matsucka, o marido dela Walter Dias Magalhães, donos do Group Soy, Marcelo de Melo Costa, colaborador e agenciador do crime, e Evandro José Goular, representante financeiro.
Todos foram presos no final do mês passado. De acordo com o titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Flávio Stringueta, são pessoas que tinham participação efetiva no esquema.
O delegado comenta que o ex-vereador apresentou um documento onde aponta que a ligação com a empresa de fachada, utilizada para aplicar os golpes, diz respeito a uma consultoria jurídica. Contudo, a polícia apontou que João Emanuel era um dos líderes do esquema que, por enquanto, contabiliza um prejuízo de R$ 50 milhões.
Stringueta destaca que novas vítimas aqui de Mato Grosso foram ouvidas. Entretanto, outras pessoas que se dizem vítimas, também de outros estados, devem ser ouvidas.
Outra questão que também está em apuração policial, de acordo com Stringueta, é o atestado médico apresentado por João Emanuel, onde é alegado que seriam necessários 120 dias para a recuperação de uma cirurgia. Com o documento, o ex-vereador conseguiu o deferimento do pedido de prisão domiciliar, ao invés de seguir para o Centro de Detenção Provisória, anexo ao Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), após ter alta hospitalar.
A operação “Castelo de Areia” foi desencadeada pela GCCO, no dia 26 de agosto. De acordo com as investigações, o grupo aplicava golpes que consistiam na proposta de intermediar empréstimos de grandes valores a juros baixos em bancos fora do país. Para isso, o interessado deveria pagar adiantamentos e títulos de crédito.
Contudo, a quantia que deveria ser emprestada, não era repassada. Em um dos casos, foi contratado um falso chinês para se passar por um negociador internacional para dar mais credibilidade à farsa.
Empresas de fachada foram montadas pelos golpistas, a ABC Share e a Soy Group, a qual teria João Emanuel como vice-presidente. Dentre o material encontrado pela polícia está um cartão com o nome dele e a identificação do cargo. Uma das vítimas do golpe milionário foi o empresário que mobiliou quatro salas do prédio onde funciona a Grupo Soy, em Cuiabá.