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Polícia identificou 20 novas vítimas de golpes em MT
"Foram muitos contratos, então novas vítimas devem procurar à polícia", diz delegado
A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) já identificou pelo menos mais 20 vítimas da suposta organização criminosa de estelionatários integrada pelo ex-presidente da Câmara de Cuiabá, João Emanuel, e chefiada pelo empresário Walter Dias Magalhães Júnior, presidente do Grupo Soy.
A identificação pôde ser feita após a Polícia Civil, em conjunto com o GCCO, deflagrar a Operação Castelo de Areia, no mês de agosto, que resultou na prisão de cinco pessoas da mesma quadrilha, que atuavam por meio da empresa de fachada “Grupo Soy”.
Os estelionatários, segundo as investigações, aplicavam golpes em todo o Estado. Além de João Emanuel e Walter Magalhães, foram presos durante a operação pela suspeita de participação no esquema: Shirlei Aparecida Matsuoka, sócia majoritária da empresa e esposa de Walter, já solta; Evandro Goulart, diretor financeiro; e o empresário Marcelo de Melo Costa, suposto "lobista" do esquema.
O delegado da GCCO, Diogo Santana Souza, disse que os contratos apreendidos ainda estão em fase de análise e que, além destas 20, outras vítimas ainda devem ser identificadas.
“Por enquanto estamos analisando contrato por contrato, foram muitos apreendidos na Soy. Então mais vítimas devem procurar a Polícia”.
Santana ainda relatou que, desta vez, além de algumas vítimas terem sido identificadas no interior do Estado, a Polícia foi procurada por outras vítimas do grupo, que residem na Bahia.
“Nós identificamos mais vítimas e trabalhamos com esse número de 15 a 20 vítimas, localizadas no interior do Estado e agora também na Bahia, onde o sindicato de mototaxistas nos procurou, porque vários motociclistas foram lesionados com o golpe e não receberam nada em troca”, disse o delegado.
De acordo com Santana, ainda não há como passar valores do prejuízo que a organização criminosa teria deixado.
“Não consigo passar valores de prejuízo ainda, mas estamos trabalhando com mais de R$ 50 milhões. Mas os alvos dos suspeitos, em grande parte, eram os empresários e agricultores. Todos que nos procuraram afirmaram ter tido contato ou com João Emanuel ou com o Walter”, contou.
Segundo o delegado, o que todas as vítimas têm em comum é que nunca receberam qualquer dinheiro dos integrantes do Grupo Soy.
“Todas elas não receberam R$ 1 real da Soy. Sempre investiam e nunca receberam nenhum retorno, é o que elas têm em comum”.
Operação Castelo de Areia
A operação Castelo de Areia foi deflagrada no dia 26 de agosto pela Polícia Civil, que apura crimes de estelionato supostamente praticados pela empresa Grupo Soy em todo o Estado.
As vítimas eram pessoas com poder aquisitivo alto, como produtores rurais, empreiteiros e empresários.
O inquérito policial foi concluído no dia 1° de setembro pela Delegacia Regional de Cuiabá, em parceria com a Delegacia de Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). O relatório afirma que a empresa Soy foi criada no começo de 2015 por João Emanuel. Ele teria chamado o pai, Irênio Moreira Lima e o irmão Lázaro Roberto Moreira Lima, para participarem do esquema.
Conforme o relatório, assim que os “diretores” conseguiam fazer com que o cliente realizasse o adiantamento, o dinheiro era rapidamente dividido entre eles.
“O grupo agia da forma que assim que recebiam os adiantamentos pedidos das vítimas, essa quantia era imediatamente repassada às contas bancárias do grupo e, em seguida, era rapidamente dividida entre João Emanuel, Lázaro, Irênio e os demais envolvidos no esquema", diz trecho do relatório.
Durante depoimento à polícia, João Emanuel e Lázaro optaram por permanecer em silêncio.