Estrutura do GAFFFF Sorriso ganha forma e entra na etapa decisiva de montagem
ONG é suspeita de grilar terras e usar nome da polícia para cometer crimes
Segundo a polícia, a grilagem de terras ocorria principalmente em APPs
A Polícia Civil cumpriu, nesta sexta-feira (30), três mandados de busca e apreensão nas casas de integrantes de uma ONG investigada por suspeita de praticar crimes contra o meio ambiente. Segundo a polícia, alguns membros da organização se passavam por policiais e, nas residências, foram apreendidos recibos e uniformes de policiais com símbolos falsificados da Polícia Civil, algemas, giroflex e cacetetes. Até o momento, ninguém foi preso.
Mandados foram cumpridos nas casas de um dos diretores do Ibemo, Leonidas Pinto de Oliveira, e do presidente da organização, Geovanny Alexsandro de Souza Silveiro. Na casa de Leonidas, foram apreendidos documentos, fardas e armas, mas ele negou as acusações e disse que se trata de material de trabalho voluntário de fiscalização ambiental. Já Geovanny Silveiro, além de negar as acusações, afirmou que o Ibemo é uma instituição legal e que irá entregar documentos à Justiça que provam sua inocência.
A operação, batizada de “Chupim” (sinônimo de aproveitador), foi deflagrada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e é decorrente de uma investigação de integrantes da ONG Instituto Brasileiro Mundo Verde (Ibemo), que estariam 'arquitetando' invasões de áreas urbanas localizadas no Bairro Nova Conquista, em Cuiabá.
Conforme denúncias feitas à polícia, a grilagem de terras ocorria principalmente em Áreas de Preservação Ambiental (APP), onde tais ocupações são proibidas. Moradores de um loteamento investigado pela polícia, onde até mesmo foi feito desmatamento para a construção de casas, afirmam que pagaram de R$ 6 mil a R$ 8 mil, em várias parcelas, pelos lotes. Inclusive recibos da venda de lotes foram apreendidos pela polícia, conforme a delegada Liliane Murata.
“Eles invadem, arrumam topógrafos, fazem as medições e distribuem esses lotes. Eles estão desmatando, ocupando locais próximos a nascentes de rios e isso é muito prejudicial, inclusive para toda a sociedade, porque causa a poluição do rio e essas águas vão para o nosso uso”, afirmou.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo também é acusado de ameaçar e aproveitar-se das pessoas menos favorecidas e esclarecidas. As investigações apontam que os suspeitos se passavam por fiscais ambientais e extorquiam pescadores que moram na região de Santo Antônio de Leverger, município a 35 km da capital.
Segundo o delegado Gianmarco Paccola, da Dema, indícios apontam que, durante o ano de 2015, os membros do Ibemo atuaram de forma repressiva, abordando ribeirinhos e pescadores amadores, fazendo apreensão de apetrechos e de pescado que julgavam ser de pesca predatória em nome dos órgãos estaduais (PM e Sema), alegando um suposto Termo de Cooperação. Para tanto, eles agiam usando veículos caracterizados com adesivos de fiscalização e trajando uniforme com calça camuflada, coturno e camiseta preta com logomarca do Ibemo.
“Existem também vestígios de invasão de área de preservação permanente, às margens do Córrego Vassoural, com existência de recibos de pessoas beneficiárias de lotes clandestinos”, afirmou Paccola.
No inquérito, constam fotos dos agentes do Ibemo em ação, inclusive cortando animais silvestres supostamente apreendidos em caça e que nunca foram encaminhados para a Delegacia de Meio Ambiente.