“Não me sinto amedrontada, tenho uma escolta capaz”, diz juíza
Suposto plano para matar magistrada foi relatado por empresário preso em operação
A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, garantiu que não se sente amedrontada pelo suposto plano do ex-vereador João Emanuel Moreira Lima para matá-la.
O empresário Walter Dias Magalhães, presidente do Gupo Soy e alvo da Operação Castelo de Areia, contou em depoimento que a intenção do político em assassinar a magistrada era motivada pelo fato de ela estar, em tese, "prejudicando seu negócio”. Segundo o depoimento, o ex-vereador iria contar com a ajuda de integrantes do Comando Vermelho.
A magistrada, por sua vez, afirmou estar acostumada com esse tipo de ameaça e diz não sentir medo.
“Não, não me sinto amedrontada. Tenho uma escolta muito bem capaz. É comum um juiz receber esse tipo de ameaça. Na carreira da gente, isso acontece em algumas oportunidades ”, disse Selma Arruda.
A juíza ainda pediu cautela antes de “julgar” o ex-vereador sobre a suposta ameaça, uma vez que isso apenas foi relatado no depoimento de um dos envolvidos no esquema.
“A princípio, para mim, isso é apenas uma declaração de um comparsa dele. Ainda não tem nenhuma confirmação de que seja verdadeira essa intenção. Portanto temos que ir com bastante cautela para não julgar antecipadamente as pessoas”, afirmou.
A ameaça
No depoimento dado à Polícia Civil, Walter afirmou que, por várias vezes, o ex-vereador afirmou que tentaria matar a magistrada e que inclusive falaria com o detento "Sandro Louco", líder do Comando Vermelho na Capital, para concretizar seu plano.
Walter ainda afirmou que João Emanuel disse a ele que a magistrada já havia recebido ajuda de seu pai - o juiz aposentado Irênio Lima, também alvo das investigações - e que ela não poderia “estar agindo de tal forma a prejudicar os negócios desempenhados por ele”.
O suspeito ainda relatou saber que João Emanuel tinha proximidade com a organização criminosa e que, após ser preso no dia 29 de agosto, recebeu um recado do Comando Vermelho, escrito “Salve”.
O empresário entendeu aquilo como um recado, ou seja, que não era para ele falar nada no interrogatório que pudesse prejudicar o ex-vereador.
"Castelo de Areia"
A operação Castelo de Areia foi deflagrada no dia 26 de agosto pela Polícia Civil, que apura crimes de estelionato supostamente praticados pela empresa Grupo Soy em todo o Estado. O prejuízo ultrapassa R$ 50 milhões.
Entre os alvos está o ex-vereador João Emanuel, apontado como líder do esquema.
Foram presos também pela suspeita de participação no esquema: Shirlei Aparecida Matsuoka, sócia majoritária da empresa; Walter Dias Magalhães Júnior (marido de Shirlei), presidente do Grupo Soy; Evandro Goulart, diretor financeiro do grupo; e o empresário Marcelo de Melo Costa, suposto "lobista" do esquema.
As vítimas eram pessoas com poder aquisitivo alto, como produtores rurais, empreiteiros e empresários.