Mato Grosso é o 11º do país em mortes por arma de fogo, diz estudo
Mapa da Violência foi divulgado nesta quinta-feira (25) pela FLACSO. Cuiabá aparece em 14º no ranking das capitais, com média de 34,7 mortes
Mato Grosso é o 11º estado brasileiro com mais mortes causadas por arma de fogo, segundo levantamento do estudo 'Mapa da Violência 2016', coordenado pelo professor e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisa do Instituto Sangari e coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO). O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (25).
Os dados do estudo mostram que Mato Grosso tem uma taxa de homicídios por arma de fogo de 26,2 para cada 100 mil habitantes. Mato Grosso tem taxa média acima da nacional, que é de 21,2. A pesquisa usou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Ministério da Saúde de 2014. O estudo avaliou dados de mortes causadas por acidente, homicídio, suicídio ou motivo indeterminado causadas com uso de arma de fogo entre 1980 e 2014. Os três primeiros estados no levantamento são Alagoas (taxa de 56,1), Ceará (42,9) e Sergipe (41,2).
Em Mato Grosso, o Mapa da Violência mostra também que os assassinatos por arma de fogo, entre 2004 e 2014, cresceram 86,1%. Em 2004 foram 454 homicídios. Já em 2014 os números foram de 845. Desse período, entre 2004 e 2014, o ano considerado com maior taxa foi em 2014, com 26,2 para cada 100 mil habitantes.
Avaliação
Naldson Ramos da Costa, sociólogo e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania (Nievci) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avalia que os dados apresentados pelo estudo são reflexos da ausência de políticas públicas de prevenção aos crimes.
“Isso também reflete que a política do desarmamento não foi colocada em prática pelos órgãos de fiscalização. Há muitas armas de fogo em circulação e casos relacionados com a arma de fogo. Esse instrumento [a arma de fogo] é potencializador dessas mortes. Esses homicídios ocorreram com tanta frequência porque há muita certeza da impunidade”, declarou ao G1. Naldson estuda casos de violência há mais de 15 anos.