Mato-grossense gasta mais que paulista pela internet
Valor médio das compras dos consumidores de Mato Grosso é maior do que os clientes do Sul e Sudeste
O comércio eletrônico (do inglês e-commerce) é uma das muitas tendências que foram propagadas pela internet. A comodidade em realizar compras sem sair de casa, além da possibilidade de comunicação rápida entre clientes e empresas, movimenta um mercado bilionário em todo o mundo e, só no Brasil, essa vertente dos negócios promete girar R$ 229 bilhões até 2021. Quando o assunto são compras pela internet os clientes de Mato Grosso não ficam atrás, e gastam em média R$ 363,47 por transação.
A informação é da Conversion - agência especializada em Search Engine Optmization (SEO), recurso utilizado em páginas e anúncios na internet com o objetivo de maximizar a divulgação de conteúdo na rede e é parte do Relatório do E-Commerce Brasileiro 2016, levantamento que traz informações e expectativas para o setor de vendas online, publicado pela organização.
Segundo o relatório, a região Centro-Oeste tem uma participação de 6,17% entre as vendas online em todo o país, movimentando cerca de R$ 4,36 bilhões e demonstrando uma participação promissora para o setor. Em Mato Grosso, a participação em relação ao Brasil é de 1,24%, ocupando o 13º lugar do ranking realizado pela pesquisa, que tem São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ocupando as três primeiras posições, com 44,88%, 14,55% e 9,53%, respectivamente.
Entretanto, quando o assunto é valor médio das compras, Mato Grosso fica à frente dos Estados do Sul e Sudeste. Com ticket médio de R$ 363,47 por compra, os mato-grossenses costumam gastar mais que paulistas, cariocas e mineiros no momento de realizar compras, ficando acima da média nacional que é de R$ 316,23 por transação. Os campeões brasileiros nesse quesito são o Pará (R$423,40), Amapá (R$422,36), Maranhão (R$403,16 ), Ceará (R$389,03 ), Bahia (R$388,30) e Goiás (R$377,55).
Com uma taxa de participação nas visitas dos sites de apenas 0,88%, relacionado com o restante do Brasil, a unidade federativa do Centro-Oeste possui uma taxa de conversão média – ou seja, visitas convertidas em vendas – relativamente alta, chegando a 1,24%. Nesse quesito, São Paulo também ocupa a primeira posição, com 1,37%.
Dispositivos móveis
Neste ano, em torno de 55% dos acessos às lojas virtuais será feita por meio de dispositivos móveis, como celulares e tablets. Entre as categorias de produtos que mais se destacam está moda e acessórios, com 16,54% de pedidos. Cosméticos, perfumaria e bem-estar ficam em segundo lugar, com 14,70%. O setor de viagem é o que mais gera receita no país, sendo responsável por um faturamento de mais de R$10 bilhões.
“Cliente não espera mais do que 24 horas por resposta”, diz professora da UFMT
Os clientes que costumam fazer compras utilizando sites querem uma resposta imediata pois ele não tem tempo ou paciência de esperar três dias, por exemplo, pelo retorno. A avaliação é da professora do Instituto de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Patrícia Cristiane de Souza, que recebeu o Circuito Mato Grosso na instituição de ensino superior, em Cuiabá.
A docente afirma que uma das áreas que mais merecem atenção para o empreendedor que planeja investir no comércio eletrônico é o atendimento. Segundo Cristiane, a possibilidade de interação instantânea da internet deve ser utilizada da maneira correta principalmente pelo potencial de riscos que ela pode trazer, como críticas que tem origem nos tempos de resposta demasiadamente longos aos clientes. A especialista em e-commerce orienta que o prazo de retorno para as demandas dos consumidores não deve ultrapassar 24 horas.
“O cliente quer uma resposta imediata. Ele não tem tempo ou paciência de esperar 3 dias pelo retorno, por exemplo. É por essa razão que os canais de atendimento são muito importantes, pois se o consumidor não ficar satisfeito ele fará suas reclamações e críticas", diz ela.
Patrícia, que em dezembro de 2015 orientou quatro alunos da UFMT na etapa nacional do “Desafio Universitário Empreendedor”, promovido em Brasília pelo Sebrae, afirmou que as pessoas que desejam realizar suas compras pela internet devem se atentar para o fato do site estar criptografado ou não – característica que aumenta a segurança, geralmente identificada por um símbolo de cadeado ao lado do endereço da página – e que se os preços estiverem muito baixos a chance de fraude aumenta.
“Como em toda compra, é preciso tomar alguns cuidados. Se você encontra uma geladeira sendo vendida por R$ 300 num site, por exemplo, sendo que o seu valor é R$ 2000 você não vai receber o produto. Desconfie sempre de preços muito baixos”.
Empresário afirma que é preciso investir em nicho específico
A internet é uma ferramenta que ainda apresentará a sociedade soluções até então impensáveis na relação entre as pessoas, empresas e instituições. Entretanto, exatamente pelo seu caráter esparso, que dá brecha a muitas possibilidades, as pessoas que desejam investir numa ferramenta de e-commerce devem manter seu foco de atuação na área em que é especializada, além de monitorar outros serviços disponíveis e o que eles oferecem a seus clientes.
A opinião é do proprietário da Kasterweb, empresa que desenvolveu a primeira ferramenta de e-commerce em Mato Grosso, Douglas Villar. Ele afirma que entre os benefícios de investimento no comércio eletrônico, além da comodidade para o consumidor, está a diminuição de custos no médio prazo para o empreendedor, que pode utilizar o dinheiro poupado do aluguel de uma loja física, por exemplo, em melhorias para o seu negócio. Mas é preciso ficar atento a concorrência.
“Se você é novo no ramo e pretende investir num site de e-commerce oferecendo os mesmos produtos que grandes lojas de varejo dispõe, por exemplo, a concorrência pode te prejudicar. Entretanto, se o empreendedor deseja lançar um site de comércio eletrônico vendendo apenas geladeiras ou produtos de informática, nichos mais específicos, as chances de sucesso aumentam”, diz ele.
No mercado há seis anos, o proprietário da Kasterweb afirma ainda que a divulgação dos produtos e do site de comércio eletrônico na internet, e também nas redes sociais, contribui para o aumento da audiência e consequentemente nos negócios, uma vez que ela representa consumidores em potencial. Douglas diz também que o investimento necessário para o lançamento de um site e-commerce é variado, e depende do volume de negócios do empreendedor e de suas expectativas.
“O custo de investimento numa ferramenta e-commerce é variado, podendo ir de R$ 3 mil até projetos mais robustos que podem chegar a R$ 100 mil. Tudo depende do volume de negócios e das expectativas dos clientes”.
“Territórios Criativos” gera renda para povos tradicionais
Quando o assunto é comércio eletrônico, as primeiras imagens que vem a cabeça de muitas pessoas são dispositivos de comunicação e entretenimento (como smartphones, computadores e vídeo-games), passagens de avião e acesso as promoções de bares e restaurantes e demais setores de serviços, os chamados vouchers. Uma iniciativa de um grupo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no entanto, busca quebrar esse paradigma, ao mesmo tempo que gera renda para povos indígenas tradicionais no Estado.
O projeto “Territórios Criativos indígenas” é uma ação realizada pelo Ministério da Cultura (MINC) e a UFMT, e tem objetivo de fortalecer a economia ligada a comunidades indígenas Bakairi,Chiquitano, Umutina e Xavante, oferecendo artesanato, adereços, utensílios (como peneiras, redes de descanso, chapéus etc) e até mesmo estadias em suas aldeias, que podem ser adquiridos pelo sistema de pagamento pay pal.
Naine Terena de Jesus é uma das coordenadoras do projeto. Segundo ela, a iniciativa funciona como um e-commerce tradicional, e é uma alternativa para gerar renda num nicho de mercado pouco explorado.
“O Territórios Criativos Indígenas é uma opção para gerar renda para os povos indígenas, valorizando o conhecimento tradicional além, de utilizar os arranjos produtivos locais. Sabemos que o nicho de mercado existe, então esse é um canal que pode gerar renda para eles”, disse ela.
O “Territórios Criativos” oferece um catálogo de serviços e produtos que podem ser adquiridos no endereço www.territorioscriativosmt.com.br. No site também é possível conhecer detalhes do projeto e dos povos tradicionais que fazem parte dele.