Maior alta do país, custo da obra em MT "bate" R$ 1 mil o m²
A realidade é ainda mais dura e muitos empresários trabalham no “vermelho”
Mato Grosso foi o estado brasileiro que registrou a maior variação no aumento de preço da construção civil no mês de agosto, de 5,06%, segundo o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE.
No entanto, a realidade é ainda mais dura e muitos empresários estariam trabalhando no “vermelho” lutando para não fecharem as portas, pois a inflação do setor teria chegado a 10%.
A análise é do presidente do Sindicato das Indústrias da Construção de Mato Grosso (Sinduscon-MT), Júlio Flávio de Miranda, que vislumbra um cenário preocupante para o setor. Ele explica que a variação do Sinapi está bem abaixo da inflação real enfrentada pelos empresários do setor, que acredita ter ficado entre 9% e 10%. “O fato é que muitos deixaram de repassar estes custos em sua totalidade para o consumidor. Temos empresários trabalhando e levando prejuízo. Os nossos custos foram maiores que estes apontados pelo levantamento", avalia.
De acordo com o estudo, o índice teve um acréscimo de 4,95 pontos percentuais se comparado com a variação do mês de julho e 4,82 pontos se comparado com a variação nacional que foi de 0,24%. No acumulado dos últimos 12 meses Mato Grosso registra variação de 6,76%, enquanto a média nacional acumula 5,98%.
Na prática, esse acréscimo “estourou” o custo da construção por metro quadrado no Estado, que subiu de R$ 987 para R$ 1,03 mil, ficando R$ 25 acima da média nacional (R$ 1,01 mil). No estudo, também foram divulgados dados referentes a mão de obra mato-grossense e materiais de construção, os quais tiveram inflação de 9,86% e 1,18%, respectivamente. A mão de obra chegou a R$ 831 por metro quadrado, ante os R$ 756 registrados em julho, mais que o dobro da média nacional (R$ 484). Já os materiais passaram de R$ 477 o metro quadrado no mês anterior para R$ 482 em agosto.
A alta seria decorrente da pressão exercida pelo reajuste salarial do acordo coletivo. “Nós demos um dos maiores reajustes salariais 9,83%, para quem recebe até R$ 2,5 mil e um acréscimo de R$ 200 para aqueles que recebem acima deste valor. Isso reflete no custo da mão-de-obra”, explica. Entretanto, o presidente ressalta ainda que, historicamente, Mato Grosso sempre teve um custo elevado da mão-de-obra, uma vez que, o trabalho é bastante valorizado por concorrer diretamente com outros mercados pujantes como é o caso do agronegócio e comércio.