Juíza diz que Permínio era o possível cérebro e "líder" de organização
Selma Arruda diz ter visto provas de que ex-secretário comandou o alegado esquema
A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado, afirmou que existe uma probabilidade “bastante alta” de que o ex-secretário de Estado de Educação (Seduc), Permínio Pinto, tenha sido o líder do suposto esquema investigado na Operação Rêmora.
A magistrada decretou a prisão do político no dia 15 de julho, determinação que foi cumprida pelo Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado na tarde da última quarta-feira (20), na 2 fase da operação.
A Rêmora apura suposto esquema que teria fraudado, no ano passado, pelo menos 10 licitações da Seduc, cujas obras estavam orçadas em R$ 17 milhões, mediante pagamento de propina em troca da divisão de licitações entre empresários que integravam o cartel.
Na decisão, Selma Arruda relatou que, após a deflagração da 1ª fase da Rêmora, em maio, o Gaeco conseguiu provas que “revelaram a existência de outros integrantes do grupo delituoso”.
Um desses integrantes seria Permínio Pinto, cujas provas o apontam como o “chefe” das alegadas fraudes.
“Do que se infere do acervo probatório trazido pelo Parquet, a liderança da organização criminosa pelo representado Permínio Pinto Filho na forma referida na representação é uma probabilidade bastante alta”, disse ela.
“Vislumbra-se, ao menos nesta sede inicial de cognição, a existência de elementos indiciários que demonstram que Permínio não só tinha conhecimento de toda a atuação delitiva dos agentes públicos que faziam parte da organização criminosa, como detinha pelo comando sobre os demais membros Fábio Frigeri, Wander Luiz dos Reis, Moisés Dias da Silva e Giovanni Belatto Guizardi, coordenando pessoalmente a atuação de cada um deles”, disse ela.
Depoimento de engenheiro
Uma das provas contra o ex-secretário, segundo a juíza, foi obtida por meio do depoimento espontâneo do engenheiro eletricista Edézio Ferreira da Silva.
No depoimento, o engenheiro afirmou que, a pedido de Giovani Guizardi - dono da Dínamo Construtora e até então considerado o líder do esquema - alugou uma sala comercial na Avenida Miguel Sutil, no bairro Santa Rosa, em Cuiabá, local que teria sido usado para reuniões “mais reservadas” do empresário.
A existência da sala para estas reuniões foi confirmada por outros empresários, que relataram ser aquele o local onde Guizardi fazia a exigência de propina para liberar a eles os pagamentos que a Seduc lhes devia.
Com esta informação, de acordo com Selma Arruda, o Gaeco conseguiu obter novos indícios de que Permínio Pinto “também fazia parte do bando criminoso”.