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Grupo fará manifestação pela liberação da pílula do câncer em MT
Distribuição da substância está proibida pelo Supremo Tribunal de Federal
Defensores do uso da fosfoetanolamina sintética, a "pílula do câncer", em Mato Grosso, realizarão um ato nesta sexta-feira (27), pela liberação da substância, cuja distribuição foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.
Alem disso, no mesmo julgamento, os ministros mantiveram suspensas as decisões judiciais que obrigavam o Governo a fornecer a substância. O plenário ainda avaliará se anulará, ou não, uma lei aprovada no Congresso em abril, autorizando a produção e comercialização da substância no País.
Associação Médica Brasileira (AMB), autora da ação no STF, alegou que o uso da fosfoetanolamina, além de não ter eficácia comprovada, pode prejudicar os pacientes ao comprometer o tratamento convencional contra o câncer. A lei, argumenta, contraria os direitos à saúde, à segurança e à vida, garantidos pela Constituição.
O método foi descoberto no ano de 1970, pelo químico Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), que testou o composto em camundongos e, segundo ele, obteve resultados positivos. No entanto, a substância nunca foi testada em humanos e não tem a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser usada como medicamento.
Em Mato Grosso, uma manifestação está marcada para acontecer na sexta-feira, às 15h, na Praça Alencastro, em Cuiabá.
O objetivo é "esclarecer a população sobre a real necessidade de liberação da fosfoetalonamina sintética para uso compassivo de pacientes com câncer no país".
Defesa
A contadora Ádina de Souza Carmo, de 48 anos, afirma que também toma a substância desde novembro de 2015 e defende sua eficácia.
Ádina contou que teve câncer de mama em 2012 e, desde então, vinha se tratando com quimioterapia. Porém por duas vezes a doença voltou.
“Eu estava me tratando com a quimioterapia, quando certo dia li sobre a pílula na internet. Comecei a pesquisar sobre ela e vi que várias pessoas estavam entrando com uma liminar em São Paulo para ter a substância. Então, eu entrei com uma liminar também em setembro. Em novembro recebi a primeira remessa, em janeiro a segunda. Esta remessa está acabando este mês”, disse.
A contadora conta que o efeito foi nítido nos primeiros 15 dias tomando as pílulas. “Meu médico havia me dito que meu estado de saúde era crítico e que eu me tornaria uma paciente paliativa, ou seja, tomaria remédios para o resto da minha vida para tentar barra a volta da doença. Então, mesmo contra a vontade do meu médico, eu decidi que iria tomar. Assim que comecei a ingerir a substância, eu tive uam surpresa quando saiu meus resultados de exames, porque eles mostraram que não tinha mais nada. Eu tinha nódulos na mama e eles desapareceram”, afirmou.
Quanto à suspensão do STF, Ádina afirma que não vai aceitar a decisão, mesmo sendo contrária. “Essa manifestação é para mostrar que, se suspenderem definitivamente, nós vamos partir para a luta para que sejam realizados testes clínicos. O movimento não vai parar enquanto eles não nos provarem que realmente não funciona”, concluiu.