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Gaeco: outros deputados podem ter se beneficiado de esquemas
Promotor Marco Aurélio de Castro disse que novas buscas e apreensões serão feitas na Assembleia
O promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro, coordenador do Gaeco, afirmou que outros deputados estaduais podem ter se beneficiado de supostos esquemas de corrupção, arquitetados na Assembleia Legislativa, pelo ex-deputado José Riva. Ele admitiu novas buscas e apreensões em gabinetes no Parlamento.
Ele acompanhou os depoimentos da Operação Ventríloquo, no Fórum de Cuiabá, sobre suposto esquema de desvio de R$ 9,4 milhões do Parlamento, em 2014.
Os fatos remetem a uma ação de execução movida pelo banco HSBC, em 1997, contra o Legislativo, por conta de uma dívida contraída em 1995, pelo Bamerindus Saúde – empresa posteriormente incorporada pelo HSBC.
"Nós ainda estamos na primeira fase dessa operação. Muita coisa há de ser esclarecida. Hoje, vocês viram o teor do depoimento de uma testemunha, em que, além dos fatos narrados, coloca um cenário, dentro da Assembleia, que nos causa arrepio", afirmou Castro.
"Vamos avançar nessa segunda frente, que é a dos beneficiários desse esquema corrupto. Está muito claro, no que se pese a denúncia encabeçada por José Riva, que esse esquema não ficava somente a ele. Esse beneficio entrou nessa Casa e nós queremos saber agora quem se beneficiou dele", disse.
Segundo Castro, quebras de sigilo e provas testemunhais indicarão novos nomes, que serão divulgados à imprensa no momento oportuno.
Ele falou também sobre o pagamento de um "mensalinho" aos deputados.
"O que o Ministério Público quer é convencer o Poder Judiciário de que isso, de fato, ocorria - e que era uma praxe, infelizmente, dentro da Assembleia Legislativa. Cenário onde tinha um recebimento oficial de deputados e um recebimento paralelo. São testemunhas que vieram hoje, aqui, como no caso do ex-deputado Maksues, que diz que havia o pagamento de um mensalinho. Um valor que era dado por fora, a mando de Riva, para que não houvesse enfrentamento com a Mesa Diretora", disse.
O coordenador do Gaeco também defendeu o retorno do dinheiro desviado aos cofres públicos.
"Nós sempre temos vários focos de operação. Além de tentar recuperar um dinheiro, que é muito difícil, mas nós temos mecanismos para isso, recuperar também, a idoneidade moral de um Poder Legislativo, que deve ser íntegro e voltado para a sociedade. Nós não vamos retroagir nenhum passo nessa investigação", disse.