Estrutura do GAFFFF Sorriso ganha forma e entra na etapa decisiva de montagem
Empresa nega ter pago propina e diz que dará detalhes após a eleição
O caso veio à tona durante o debate realizado pela TV Record
A empresa Caramuru Alimentos, com sede em Goiás, que foi acusada pelo candidato à Prefeitura de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), de ter pagado R$ 4 milhões em propina para receber incentivos fiscais do Estado de Mato Grosso, emitiu nota afirmando que a concessão do benefício ocorreu dentro da legislação.
O caso veio à tona durante o debate realizado pela TV Record, no último domingo (23), quando Wilson Santos acusou Emanuel Pinheiro (PMDB) de ter recebido a propina por meio de um esquema que teria beneficiado a empresa. O suposto esquema teria contado com a participação da cunhada e do irmão de Emanuel, Bárbara Pinheiro e Marco Polo Pinheiro, o "Popó".
“As operações de Prodeic para soja beneficiada das nossas três unidades do Vale do Araguaia (Água Boa – Canarana – Querência) foram contratadas em 2014 com o Governo do Estado do Mato Grosso dentro da legislação da época, inclusive com a aprovação do Conselho Estadual de Desenvolvimento Empresarial - CEDEM, conselho composto por representantes de diversos seguimentos da sociedade e do poder público”, diz trecho da nota.
A Caramuru Alimentos disse que só irá se pronunciar com detalhes sobre a denúncia após o período eleitoral, para não favorecer nenhum candidato.
“No sentido de não favorecer um candidato em detrimento de outro e, em respeito ao eleitor local, já que o tema levantado não se refere a Cuiabá, a empresa definiu que somente irá pronunciar sobre o tema, com detalhes, após as eleições, quando faremos os devidos esclarecimentos dos fatos, apresentando a versão da Caramuru Alimentos, empresa que se pauta por seu Código de Ética, princípios e valores sólidos”.
A denúncia
Na segunda-feira (24), Wilson Santos fez uma denúncia formal na Delegacia Fazendária (Defaz), quando entregou um áudio contendo o diálogo que ele manteve com os empresários Marco Polo Pinheiro e Bárbara Pinheiro.
No áudio de 11 minutos, Bárbara Pinheiro diz ter ajudado a empresa Caramuru Alimentos a obter incentivos fiscais junto ao Governo do Estado em troca de dinheiro.
No diálogo, a empresária disse que possuía uma cozinha industrial em Várzea Grande que atendia empreiteiras. Segundo ela, em 2014, o governo federal começou a atrasar pagamentos a essas construtoras, que, consequentemente, começaram a atrasar pagamentos a ela.
“Alguns cheques foram sustados. Enfim, agora [o prejuízo] deve estar em torno de R$ 4 milhões”, disse.
Uma dessas empresas foi a Aurora Construtora, que também "quebrou", segundo ela.
Diante da possível falência, a empresária foi, junto de seu esposo, Marco Polo Pinheiro, à Secretaria de Estado de Indústria e Comércio para conseguir acelerar o processo de enquadramento da empresa Caramuru Alimentos no programa de incentivos fiscais. Segundo as informações, a empresa tentava obter os benefícios desde 2011.
“Fui lá na secretaria, marquei. Eles foram e fizeram reunião. Uma reunião eu fui junto, nas outras eu não fui. Não é nada ilegal. O que eu consegui lá dentro muitas empresas já fizeram isso”, afirmou.
Segundo o relato de Bárbara Pinheiro, após a ajuda dela para enquadrar a Caramuru nos incentivos, a empresa cobriu parte do prejuízo que ela tinha em suas empresas.
“Fiz a operação e a Fabíola [de Cássia Noronha, irmã de Bárbara] recebeu R$ 2 milhões. Aí, era para fazer pelo escritório dela, só que o escritório dela não é simples. Daí, ela queria que eu mandasse pros escritórios (...) Dei pros escritórios e eles pagaram. Fabíola ficou com o dinheiro dela, e o que era meu paguei as contas da cozinha”, disse.
A Caramuru Alimentos, com sede na cidade de Itumbiara – GO, atua nos estados de Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo, nos segmentos animal, industrial, produtos de consumo, commodities, biodiesel e logística.
Em Mato Grosso, conforme destacado na nota, a empresa “fez fortes investimentos no Vale do Araguaia e em Sorriso”.
Confira a íntegra da nota enviada à imprensa pela Caramuru Alimentos:
Com relação à denúncia de um dos candidatos a prefeito de Cuiabá-MT, no dia 18 de outubro, em debate promovido pela TV Record, prestamos os seguintes esclarecimentos:
- A Caramuru, com 52 anos de atividades, é a principal empresa de capital nacional no processamento de soja, milho, girassol e canola, com dedicação à armazenagem e industrialização de grãos, extração e refino de óleos, exportação de soja em grãos, farelo, óleo, lecitina, proteína concentrada de soja (SPC) e, à produção de biodiesel. É destaque na logística de movimentação de produtos do “complexo soja”, com fortes investimentos no Porto de Santos, em ferrovias e na Hidrovia Tietê-Paraná, propiciando a utilização de transportes intermodais.
- No Mato Grosso, a Caramuru fez fortes investimentos no Vale do Araguaia e em Sorriso, ampliando suas operações de soja. A unidade industrial de Sorriso tem capacidade de processar 1.200 t/dia de esmagamento de soja, e 230.000 t/ano de Proteína Concentrada de Soja (SPC), tornando-se a primeira indústria do Estado deste produto de alto valor agregado.
- As operações de PRODEIC para soja beneficiada das nossas três unidades do Vale do Araguaia (Água Boa – Canarana – Querência) foram contratadas em 2014 com o Governo do Estado do Mato Grosso dentro da legislação da época, inclusive com a aprovação do Conselho Estadual de Desenvolvimento Empresarial - CEDEM, conselho composto por representantes de diversos seguimentos da sociedade e do poder público.
- Assim, no sentido de não favorecer um candidato em detrimento de outro e, em respeito ao eleitor local, já que o tema levantado não se refere a Cuiabá, a empresa definiu que somente irá pronunciar sobre o tema, com detalhes, após as eleições, quando faremos os devidos esclarecimentos dos fatos, apresentando a versão da Caramuru Alimentos, empesa que se pauta por seu Código de Ética, princípios e valores sólidos.