Eder Moraes deixa Centro de Custódia usando tornozeleira eletrônica
Ex-secretário foi liberado do Centro de Custódia da Capital
O ex-secretário de Estado Eder Moraes foi solto do
Centro de Custódia da Capital, na noite desta sexta-feira (14), por força de
decisão liminar (provisória) do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal
Federal (STF).
Eder Moraes estava preso preventivamente desde o dia 1º de abril, durante a 7ª
fase da Operação Ararath, por suspeita de ter movimentado bens em nome de
“laranjas” para burlar decisão judicial.
Em entrevista à imprensa ao sair da prisão, o ex-secretário negou que tenha
tentado enganar a Justiça e tachou tal acusação de "absurda"
"Eu aproveito a
oportunidade para dizer que essa é uma inverdade. Meu patrimônio está
declarado, os últimos 10 anos do meu imposto de renda está declarado, então não
há nenhuma tentativa de burlar. O que eu fiz, única e exclusivamente, foi
registrar o que já era meu em nome do meu filho. Não existe nenhuma
irregularidade, não existe nada que impedia isso, não existe nenhum gravame
sobre essa escritura, portanto, é totalmente absurda essa acusação",
afirmou.
O alvará de soltura foi assinado pelo juiz Jeferson Schneider, que aplicou três
medidas cautelares como requisitos para o político se manter em liberdade: o
uso de tornozeleira eletrônica (que já foi colocada), a proibição de sair de
casa das 19h às 6h e a vedação de manter contato com os demais réus das ações
penais da Ararath (com exceção se sua esposa, Laura Tereza Dias).
A decisão favorável a Eder Moraes foi publicada na última quinta-feira (13),
mas só na tarde desta sexta a Justiça Federal mato-grossense recebeu a
notificação oficial. A soltura foi acompanhada pelos advogados Ricardo Spinelli
e Ronan Oliveira e pelos filhos do ex-secretário, Eder Moraes Jr. e Monize
Costa.
No entanto, a defesa do ex-secretário já adiantou que irá impetrar novo Habeas
Corpus contra a aplicação das medidas cautelares, por considerá-las
"gravosas e excessivas".
Liberdade concedida
Ao julgar o pedido contido em Habeas Corpus, o ministro Dias Toffoli explicou
que o principal argumento do juiz Jeferson Schneider para justificar a prisão
preventiva de Eder Moraes foi a garantia da ordem pública em razão da
“gravidade e complexidade” dos crimes supostamente praticados pelo
ex-secretário, assim como o papel de destaque do mesmo no alegado esquema.
Porém, segundo o ministro, este fundamento já havia sido afastado pela 1ª Turma
do STF, no ano passado, quando Eder Moraes foi liberado da prisão decretada na
5ª fase da operação.
Toffoli também rebateu o argumento do juiz Jeferson Schneider, que defendeu a
necessidade da prisão pelo fato de Eder Moraes ter transferido um imóvel ao
próprio filho e vendido dois automóveis, mesmo com decisão que o impedia de
movimentar tais bens. Para o ministro do STF, o bloqueio de bens e a imposição
de medidas cautelares já garantem o resguardo da ordem pública e a aplicação da
lei.
Habeas Corpus
No Habeas Corpus ingressado junto ao STF, a defesa alegou que ambas as
transações que motivaram a prisão (negociação de veículos e transferência da
casa de Eder ao seu filho) ocorreram de forma legal, uma vez que teriam sido
feitas antes da decisão que determinou o bloqueio de bens do ex-secretário.
“Ambos os veículos constam na declaração de IR, e ainda mais no depoimento do
Paciente (em anexo), comprovando sua licitude e devidamente declarados não
havendo, destarte, qualquer conduta tendente a descumprir qualquer decisão
judicial”, diz o documento.
Desta forma, os advogados alegaram que a prisão de Eder Moraes foi ilegal, pois
além de os bens serem declarados, o ex-secretário teria contado ao juiz sobre
as transações, em interrogatório ocorrido no dia 26 de março deste ano.
“Nota-se que mesmo sendo registrados os negócios jurídicos, às claras e com o
recolhimento do tributo respectivo (em nome dos filhos), declarado no Imposto
de Renda, e tendo ainda informado previamente o juízo da 5ª Vara Federal da
Seção Judiciária do Mato Grosso quando do interrogatório prestado no dia
26/03/2015 (que inclusive já havia determinado a constrição patrimonial: ordem
de hipoteca legal e arresto), e mesmo antes de vir às informações cartorárias a
respeito dos bens, resolveu-se decretar nova prisão preventiva do Paciente, com
a devida vênia, no dia 01/04/2015, e sem existir qualquer fato novo (CPP, Art
316) e em total afronta a decisão proferida pelo STF”, diz o documento.
Acusações
Eder Moraes foi preso pela Polícia Federal em sua residência, no Condomínio
Florais, em Cuiabá, durante a sétima fase da Operação Ararath.
A PF suspeita que ele tenha movimentado bens móveis e imóveis em nome de
“laranjas”, com o intuito de ocultar a real propriedade e impedir o cumprimento
de decisão judicial de sequestro e arresto de bens.
A prisão foi decretada na noite de 31 de março pelo juiz Jefferson Schneider,
da 5ª Vara Federal de Mato Grosso.
Segundo o delegado Marco Aurélio Faveri, da Polícia Federal, o ex-secretário
estaria a utilizar “laranjas”, parentes e membros da família Piran para
movimentar seu patrimônio e até pagar contas pessoais.
O delegado explicou que Eder teve bens bloqueados judicialmente, e que se
utilizava desta estratégia para tentar não ser atingido.
Segundo Marco Aurélio, somadas as ordens judiciais, "Eder deverá ter que
devolver cerca de R$ 100 milhões".