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Corpo de menina morta pelo pai continua no IML por falta de equipamento
Com o entrave na Politec, a mãe da criança não sabe quando poderá enterrar a sua filha
O corpo de Maria Eduarda, de 2 anos, que foi assassinada pelo pai, Lenilson Barbosa de Souza, de 25 anos, e pela madrasta da menina, Katia Cristina de Almeida, por ter defecado no colchão do casal no último dia 7 de setembro, no município de Primavera do Leste, ainda não tem data para ser liberado do Instituto Médico Legal (IML).
Diante disso, a mãe da criança, Ana Paula Taveira dos Santos sofre sem saber quando poderá enterrar a filha.
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A demora, segundo informações da Perícia Oficial Técnica (Poltec), é porque o corpo ainda precisa passar por um exame de raio-X, que deve indicar se a criança teve outras lesões antes de ser morta. Por causa disso, o técnico precisa de um equipamento de proteção individual que está em falta na unidade.
Além da falta de equipamento, a unidade conta apenas com um técnico de antropologia forense, que cuida dos corpos que já estão em avançado estado de decomposição, como é o caso de Maria Eduarda e por isso o aumento da demanda nos últimos dias.
“Além de ter que conviver com a dor da perda da minha filha, não tenho o direito de enterrá-la. São quase 20 dias que estou nessa angústia e eles não estipulam nenhuma data para me dar uma resposta de quando vou poder enterrar a minha filha. Isso é uma vergonha. São vários corpos que estão lá na Politec, nessa situação. O governo do Estado tem que tomar uma atitude, porque eu não mereço além de viver com a dor da perda da minha filha e com essa falta de sensibilidade por parte do governo”, disse Ana Paula Taveira dos Santos, mãe de Maria Eduarda.
Ana Paula afirma que durante todo esse período, após a morte da filha tem convivido com a dor e a saudade de Maria Eduarda. “Que coisa tão ruim uma menina de 02 de anos pode ter feito para que o pai dela matasse? Ter defecado na cama é motivo para uma menina de 02 anos ser assassinada? Eu quero que ele pague por tudo que ele cometeu. Eu quero que ele nunca mais saia da cadeia e apodreça lá dentro”, disse emocionada a mãe.
A mãe da criança conta que Lenilson havia reclamado recentemente que estava ficando muito pouco tempo com a filha. “Antes de ele matar minha filha, me ligou e disse que queria ficar um tempo a mais com ela. Ela sempre morou comigo e às vezes ficava com ele no fim de semana. Ele nunca fez nada contra ela, nunca teve nenhum ato nervoso enquanto namorava comigo. Eu jamais pensei que ele aprontaria tal brutalidade da forma que fez”, comentou.
“Ele nunca vai ter o meu perdão e acho que nem o de Deus. O que me resta agora é rezar pela alma da minha filha e torcer para que ela fique bem. Em relação à liberação do corpo dela, eu não tenho condições de ficar indo em Cuiabá todos os dias por isso peço para a minha irmã entrar em contato com o IML, em Cuiabá, para que possa ser liberado o mais rápido o corpo da minha filha”, completou Ana.
Por meio de nota, a Politec informou que o corpo da criança está no setor de antropologia forense do IML e aguarda os resultados de exames complementares para a confirmação da causa mortis, por meio do exame histopatológico, e identificação através do DNA, pois não houve sucesso na identificação papilar devido ao avançado estado de decomposição do corpo.
O crime
O corpo da menina foi encontrado no domingo (18). No entanto, conforme a Polícia, a menina foi morta no dia 7 de setembro. A criança passava uma temporada com o pai que foi trabalhar em uma fazenda em Paranatinga. Após um mês, o pai e a madrasta se mudaram para Primavera do Leste, onde ocorreu o crime.
“No dia 7 de setembro, ela [madrasta] foi ao mercado e, quando retornou, ele [o pai] disse que tinha batido na menina porque ela tinha feito cocô na roupa e na cama. A criança estava grogue e decidiram dar remédio para dores á ela. Deixaram a menina no quarto e durante a noite viram que ela foi a óbito”, declarou a delegada.
O pai e a madrasta não chamaram a polícia e nem procuraram ajuda depois que perceberam que a menina havia morrido.
“Desocuparam uma das caixas que usaram para a mudança, colocaram o corpo dentro de um saco plástico e o enrolaram no lençol que a criança dormia. Foram trabalhar novamente em uma fazenda e regressaram depois de dois dias. Perceberam que (a casa) estava exalando um forte odor e decidiram se livrar da caixa (com o corpo)”, relatou Luciana.
De acordo com a delegada, somente no dia 12 de setembro o casal retirou a caixa com o corpo da menina de dentro da residência. Eles deixaram a caixa em uma área verde nos fundos do loteamento onde moravam. O casal ainda limpou a casa, que era alugada, e viajou para Goiânia.
Os dois foram autuados por ocultação de cadáver.