Coronel foi executado na frente da filha de 5 anos após bandidos encontrarem farda: “mata que é vagabundo”
Helton Vagner Martins, de 39, foi rendido por 3 adolescentes na frente de casa, em Sinop
O tenente-coronel
Helton Vagner Martins, de 38 anos, foi baleado na frente dos filhos 12 e de 5
anos, além de uma sobrinha de 16. Durante todo o tempo de invasão à residência,
ele tentou defender as crianças e chegou a se colocar na frente da filha mais
nova de cinco anos para evitar que ela continuasse a chorar, já que o medo da
menina incomodava aos ladrões, que insistiam em tecer ameaças à garota.
O oficial e a esposa dele, Cristina Martins e Martins, foram baleados na
noite de sábado, 8, em Sinop. Ferido com quatro disparos, ele morreu na
madrugada de domingo ao ser submetido a intervenção cirúrgica. Cristina foi
ferida com três disparos, no braço e dois no abdome e permanece internada.
“'É polícia. É polícia. É vagabundo, mata'. Essa foi afirmação de um dos
criminosos ao encontrar a farda dele”, conta a sobrinha do militar que
presenciou o crime.
Ao Olhar Direto, a menina relatou que Vagner tentava manter a
tranquilidade e pedia calma aos bandidos. Ele chegou, inclusive, a entrar na
frente de criança para evitar ameaças a mesma.
“Pode levar o que quiserem”, disse o militar minutos antes de ser ferido. O
menino de doze anos também contou que tentava se esconder no guarda-roupas.
Refém, a família era mantida no quarto das meninas sob a mira da arma de um
ladrão. No quarto do casal, um segundo bandido revirava itens pessoais.
Da casa, a única pessoa que não presenciou o crime foi o filho mais velho do
policial, de 16 anos, que estava dormindo em outro cômodo.
“Depois que acharam a farda. Ele ainda tentou explicar, mas não deixaram.
Atiraram. Minha tia entrou na frente e foi baleada também. Os bandidos correram
em direção ao corredor. Mesmo ferida, ela ainda arrastou ele até a sala e
pedimos ajuda do vizinho”, conta a testemunha.
O filho mais velho do tenente-coronel, estudante de 16 anos, contou ao Olhar
Direto que seus pais foram rendidos quando estavam na área da casa.
"Meu pai e minha mãe estavam lavando a área quando ela percebeu que um
carro preto passou uma vez, duas vezes e deu a volta e veio no sentido a casa.
O portão estava aberto porque meu pai estava do lado de fora e ela não podia
fechar”.
Horas após o crime, a Polícia Militar prendeu quatro envolvidos na ação.
Ronaldo Faleiros, de 26 anos e ainda três adolescentes que já possuem histórico
criminal.
Na manhã de hoje, 10, colegas do militar compareceram ao velório realizado na
capela das Tulipas, na Funerária Jardins, em Cuiabá.
“Todo mundo está suscetível a uma situação de violência, mas penso que a culpa
seja da legislação. Todos os adolescentes envolvidos já tem passagens”, avalia
o tenente coronel Carlos Eduardo Pinheiro, que foi colega no Curso de Formação
de Oficiais com Vagner em 1994.
O militar, que servia há 22 anos à Corporação, será enterrado às 14h30 no
cemitério Parque Bom Jesus de Cuiabá. Vagner optou por seguir a carreira
militar a exemplo do pai, o 2º sargento Valdevino Souza.
"Era meu primogênito. Era uma pessoa que deixa um legado a ser
seguido", resumiu.