Com quase R$ 1,6 bilhão, Cuiabá é a sede da Copa que mais se endividou
A primeira dívida de Mato Grosso com a União é de R$ 392,95 milhões
Dentre as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, Cuiabá é a que mais se endividou com órgãos ligados ao Governo Federal. Ao todo, a capital mato-grossense contraiu R$ 1,575 bilhão de empréstimos para as obras do Mundial.
Tal medida também agrada ao presidente interino Michel Temer (PMDB), que já determinou estudos para que isto se concretize. O pedido partiu do governador mato-grossense, que busca meios para contornar a crise. Recentemente, o tucano enfrentou problemas para pagar o RGA (Reajuste Geral Anual) e teve de lidar com uma greve geral dos servidores.
A primeira dívida de Mato Grosso com a União é de R$ 392,95 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Este montante foi utilizado para a construção da Arena Pantanal, através do ProCopa Arenas. Vale lembrar que este valor poderá duplicar, caso o Executivo não entregue os pontos necessários para o recebimento do certificado ambiental (Leed).
A segunda dívida é referente às obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Ao todo, foram R$ 1,182 bilhão liberados pela Caixa Econômica Federal. Fato é que o novo modal ainda continua uma incógnita e tem suas obras judicializadas. O governo aceita pagar R$ 1,6 bilhão, enquanto que o Consórcio VLT pede pelo menos R$ 2,2 bilhões. As duas partes seguem conversando, mas ainda não entraram em acordo.
O BNDES não se mostra muito disposto a alongar o pagamento das dívidas. Isso porque as obras estão com vários problemas jurídicos. A Arena Pantanal, por exemplo, ainda não foi finalizada, dois anos após o Mundial. Atrás de Mato Grosso estão Belo Horizonte (R$ 1,345 bilhão) e Recife (R$ 1,358 bilhão). A que menos gastou foi Brasília (R$ 98 milhões).
A dívida de Mato Grosso relativa à Copa de 2014 representa 22,5% do total devido pelo Estado. Para ganhar força na renegociação e conseguir alongar o pagamento das parcelas, Pedro Taques tem articulado com os governadores das demais 11 subsedes da Copa a criação de um grupo de estudos a fim de traçar uma estratégia.
Em release divulgado pelo Gabinete de Comunicação (GCom), Taques reclama que a dívida está crescendo em excesso. “O governo de Mato Grosso tem buscado meios para superar a crise econômica que atinge todo o país, continuar crescendo e oferecer ao cidadão serviços e obras de qualidade que transformem para melhor a realidade de cada um”, argumento o chefe do Poder Executivo.
Também recentemente, Taques solicitou ao ministro Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, e, depois, com a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, em Brasília, que a União viabilize recursos para terminar o VLT. Para o VLT, o Estado já viabilizou empréstimo de R$ 400 milhões e agora tenta o restante necessário para a conclusão, em torno de R$ 500 milhões. A União, por meio da Casa Civil, vai ajudar o Estado a buscar alternativas para a conclusão dessa obra.