Base do Governo propõe pagar 7,36% de RGA; Fórum analisa
Deputado Dilmar DalBosco diz que Sindicatos pediram prazo para analisar nova proposta
Os deputados da base governista na Assembleia Legislativa apresentaram, na noite de ontem (27), uma nova proposta para o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) ao Fórum Sindical - que representa o funcionalismo público de Mato Grosso.
Conforme a proposta, o Governo pagaria 7,36% dos 11,28% da RGA em três parcelas – 2% no mês de setembro deste ano e 2,28% nos meses de janeiro e abril de 2017, respectivamente.
De acordo com deputado Dilmar Dal'Bosco (DEM) o resíduo de 3,92% ficaria para o ano que vem, condicionado ao enquadramento do Estado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que determina o limite máximo de 49% da Receita Corrente Líquida com o pagamento de salários.
No entanto, conforme o deputado da base do Governo, esta nova proposta não prevê o pagamento retroativo a maio de 2016, data em que, conforme a Constituição, deveria ter sido paga a reposição inflacionária.
Segundo Dal'Bosco, ao invés de pagamento retroativo a maio de 2016, o reajuste seria calculado com base no respectivo salário do mês em que for aplicado.
“Isso seria ganho real para incorporar salário. A nova proposta não prevê o retroativo. Colocamos para que seja feito um reajuste. Por exemplo, em maio o servidor ganhava R$ 1 mil. Setembro tem um reajuste de 2%, o salário vai para R$ 1,02 mil. Em maio de 2017, tem outro reajuste de 2,36%. Corrige com base no salário de R$ 1,02 mil. Não pega a data base de 2016, pega a data já de setembro. Pega o R$ 1,02 mil e faz o reajuste”, explicou.
“O 1,36% a mais que estamos colocando, vai passar para 1,54%. Praticamente vai para 7,54%”, completou.
Dal'Bosco ainda esclareceu que o Fórum Sindical solicitou para que a continuidade da votação do projeto de lei do pagamento da RGA, marcada para esta terça-feira (28), não seja realizada, até que eles se decidam se concordam ou não com esta nova proposta.
“Nós fizemos esta proposta. Eles pediram para não colocar o projeto do Governo em votação na sessão de amanhã cedo. Para sentar com todo mundo e à tarde eles darem um posicionamento. Caso não concordem, o projeto de lei do Governo já está pronto para ser votado, prevendo o pagamento de 6% da RGA”, afirmou.
“Nós vamos respeitar a questão regimental. O deputado Zeca [Viana], que pediu vistas, tem que devolver o projeto para a CCJ. Colocamos nosso substitutivo e a tarde a gente põe para votar”, declarou.
O deputado afirmou que o Governo já se mostrou contrário a outras propostas que não aquela enviada à Casa de Leis; no entanto, ele afirma que os parlamentares irão insistir na aprovação.
“Quem está fazendo esta proposta é a base do Governo. São os deputados que estão cobrando o governador. Ainda vamos conversar com o governador amanhã, mas esta nova proposta terá a votação maciça dos deputados”, disse.
“O Governo não quer, mas nós vamos nesta proposta até o final. Precisamos da aceitação do Governo, mas acho que esta proposta nós conseguimos, sim, com o Executivo”, declarou.
Constitucionalidade
Ao contrário do substitutivo integral ao projeto de lei do Executivo, apresentado pelo deputado Zeca Viana [PDT], Dilmar Dal’Bosco afirma que a proposta dos deputados da base governista não é inconstitucional, pois leva em consideração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), prevista para o ano de 2016.
“O substitutivo do Zeca é inconstitucional. Estamos fazendo em cima da mesma proposta da LDO de 2015, o que não faria com que a proposta da base seja inconstitucional”, afirmou.
“Proposta pior”
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e Meio Ambiente (Sisma-MT), Oscarlino Alves, avaliou que esta nova proposta dos deputados de base é pior do que a que o Governo do Estado apresentou e que está em trâmite na Assembleia Legislativa.
O sindicalista confessou que abandonou a reunião antes que ela fosse encerrada, após discussão acalorada com o líder do Governo no Parlamento, deputado Wilson Santos (PSDB).
“Proposta pior do que a mensagem enviada pelo Governo. Isso é insustentável perante as bases. Pois a proposta do Governo tem previsão de retroatividade, nos 6%”, declarou.
“A reunião foi uma baixaria, pois os deputados querem forçar a aceitação desta proposta. Minha categoria não aceita. Os deputados não tem o mínimo de respeito com os servidores. Eles acharam que iam abafar o movimento e evitar os xingamentos na sessão de amanhã”, afirmou o sindicalista.
As propostas
No projeto de lei enviado a Assembleia Legislativa, o Governo do Estado propõe, além do parcelamento do pagamento dos 6%, quitação dos 5,27% restantes, totalizando os 11,27% de forma retroativa, condicionada ao enquadramento do Estado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A previsão é de que o primeiro pagamento de metade deste resíduo seja feito em maio de 2017 e a outra, em setembro do mesmo ano.
Ainda há no projeto o pagamento das perdas inflacionárias retroativas a maio deste ano, nos meses de maio e setembro de 2017.
O substitutivo prevê o parcelamento de 11,28% em nove vezes, entre julho de 2016 a março de 2017, e não condiciona o pagamento à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).