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Vereador nega acusação de abuso sexual contra enteada e chama garota de “problemática”
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito é padrasto da menina
Um vereador de Cuiabá negou ter abusado sexualmente de sua enteada, de 11 anos. O caso veio à tona nesta segunda-feira (28), dois dias depois de a tia da menina ter denunciado o suposto crime e registrado um boletim de ocorrências (BO).
O parlamentar acrescentou que a garota é “problemática” e que pode ter acontecido uma alienação parental por parte da família paterna, já que ele ajudou a noiva a conseguir a guarda da criança.
“Tenho 61 anos de idade, sou pai de duas filhas e [tenho] um neto. Disputei cinco eleições na minha vida política. Trabalhei como contador, advogado e o meu passado por si se explica. Podem buscar a minha vida até o dia de ontem, que não encontrarão nada neste sentido. Quero dizer que sempre cuidei da minha imagem, das minhas ações, porque sempre soube que o reflexo das minhas ações iria refletir em cima de quem não tem nada com isto. Que são minhas duas filhas e netos”, disse o vereador.
Ele conta ainda que a garota morava com o pai em Canarana: “Lá, também aventou uma conversa desta, que foi quando o pai pegou a guarda. Posteriormente, conheci a mãe dela, em Cuiabá. Notei que era uma menina muito triste com aquela covardia que houve lá atrás e me propus a ajudá-la. Na audiência conseguimos reverter a guarda e ela [criança] veio morar com a mãe”.
O parlamentar comentou ainda que a criança de 11 anos ficou repetente em três matérias. Então, a mãe pediu que ele a ajudasse. O acusado afirmou ter dado aulas, principalmente de matemática: “Ela conseguiu a nota e passou. No sábado, fui almoçar na casa da mãe dela, minha noiva. Ela apresentou o boletim com as notas vermelhas, a menina tinha ficado de recuperação em cinco matérias. Pedi que a mãe a chamasse para que conversássemos”.
“Disse que ano passado eu havia ajudado, mas disse que era compreensível pela diferença do ensino no interior, mudança de ambiente, entre outras coisas. Falei que ficar de cinco matérias era sinal de que ela não estava estudando, ela não entrega os trabalhos para a mãe. As provas que a mãe teria de assinar, ela diz que perdeu”, explica o vereador.
Ele alegou que “durante a conversa, ela ironizou, fez careta, ficou dançando. Eu disse para a mãe dela que em quatro ou cinco dias ela não conseguiria recuperar. Ainda falei que ela reprovar agora, não seria de todo mal. Todos os colegas seguiriam para a sétima série e ela tiraria isso como ensinamento. Ela não gostou desta fala e saiu do ambiente em que estávamos. Continuamos conversando e pedi para que chamasse a criança de volta”.
Por fim, o suspeito argumenta que "o que resta neste momento é apresentar a verdade".
O caso
O vereador é acusado de abusar sexualmente de uma menor de 11 anos. A acusação é feita por uma tia paterna da menor, segundo informações do boletim de ocorrências nº 2016.380704.
Segundo consta do boletim de ocorrência (BO), o vereador é padrasto da menina.
O abuso sexual teria ocorrido no dia 13 de outubro deste ano durante uma festa de comemoração do aniversário da mãe da menor. A vítima teria pedido para ir embora, uma vez que já estava tarde, porém foi levada para um quarto pela mãe onde conversaram.
Ainda de acordo com o registro no boletim de ocorrências, a mãe teria pedido para o namorado, o vereador, para que ele conversasse com a filha, uma vez que a achava triste e para convencer a menina para ficar na festa.
Conforme relatado pela tia da menina, o vereador teria pedido para a criança sentar em seu colo para conversar, entretanto, enquanto conversavam, o mesmo teria começado a passar a mão na vítima. A tia ainda relatou aos policiais que a sua sobrinha diante a situação saiu do colo do vereador e foi para outro quarto, sendo seguida por ele, onde teve novamente de sentar em seu colo e o mesmo voltou a passar a mão descendo até seus órgãos genitais.