Colisão frontal entre carreta e picape deixa dois mortos na BR-163 em Sorriso
Tenente alega não ter sido notificada e oitiva da morte de aluno é adiada
Izadora Letur é acusada de tortura e omissão de socorro
A oitiva da tenente do Corpo de Bombeiros Izabela Letur, que iria depor sobre a morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, foi desmarcada a pedido da defesa. A justificativa seria que a oficial, que está afastada, mas continua realizando serviços administrativos na corporação, não foi notificada pelo Corpo de Bombeiros sobre a audiência.
O depoimento do comandante do 1º Batalhão, tenente-coronel Marcelo Augusto Reveles de Carvalho, está mantido. Ele será ouvido hoje (1º de fevereiro). Segundo a delegada responsável pelo inquérito, Juliana Chiquito Palhares, o advogado de defesa da tenente solicitou uma nova data, mas ainda não foi definida.
A reportagem entrou em contato com o advogado da tenente, Huendel Rolim, mas ele não atendeu às ligações.
Izadora é acusada de tortura e omissão de socorro durante treinamentos aquáticos, realizados em 15 de novembro de 2016, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. O aluno bombeiro Rodrigo Claro, que tinha 21 anos, passou mal, foi internado e morreu uma semana depois com hemorragia cerebral.
O desdobramento dos depoimentos será protocolado no Fórum da Capital e a secretaria de Estado e Segurança Pública deve ser informada sobre o resultado.
“O resultado não deve demorar a ser divulgado, não tem o porquê demorar muito. O secretário de Segurança Pública será informado. Então, ele decidirá quem deve se pronunciar e falar sobre o inquérito”, disse a delegada.
O comando do Corpo de Bombeiros também instaurou um inquérito para apurar se houve excessos que resultaram na morte de Rodrigo. A tenente Ledur já foi ouvida nesse processo, que está sob responsabilidade do coronel bombeiro Alessandro Borges Ferreira.
Cinco oficiais que atuaram no treinamento dos soldados foram afastados em decorrência do processo. O Ministério Público Estadual (MPE) também acompanha o caso.
Investigação anterior
A tenente e um sargento já haviam sido investigados em 2015 após denúncias anônimas, de que estariam exercendo pressão psicológica sobre os alunos. À época, os bombeiros alegaram que uma sindicância investigou as denúncias e nenhuma irregularidade foi constatada. O caso foi arquivado.
O comandante geral do Corpo de Bombeiros não descartou a possibilidade de erro, mas declarou que as críticas devem ser filtradas. “O que o aluno considera muitas vezes como pressão psicológica ou tortura, não passa de uma instrução simples. Ele está sendo submetido a um ambiente em que ele não está acostumado e precisa desenvolver uma técnica”, afirmou.