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Sorriso: médico faz desabafo e diz que condições do Hospital Regional aumentam risco de morte
Neurocirurgião denuncia irregularidades e alarmante índice de infecção hospitalar
Priscilla Helbel Zuniga, esposa do neurocirurgião Fernando Zuniga, compartilhou em uma rede social o desabafo do médico sobre as condições de atendimento no Hospital Regional de Sorriso (HRS) desde que o Governo do Estado passou a efetuar os pagamentos com atrasos e até incompletos. No texto, intitulado “carta informativa”, o profissional relata que a realidade da unidade médica tem aumentado o risco de morte dos pacientes.
O médico aponta que há irregularidade e descontinuidade no controle de higiene em todo o hospital e, por isso, há um aumento alarmante do índice de infecção hospitalar.
Como resultado, o neurocirurgião alerta que as péssimas condições do hospital têm prolongado o tempo de internação e de sofrimento dos pacientes e que há aumento de riscos de outras complicações graves, inclusive de morte.
“Colocamos aqui, para conhecimento de todos, que atualmente o Hospital Regional de Sorriso traz muito mais risco do que benefício para os seus usuários que esperam um tratamento médico adequado. Iniciamos o serviço de neurocirurgia em outubro de 2014. No início daquele período, realizamos cirurgias de alta complexidade e elevado grau de dificuldade, que trouxeram imenso orgulho e satisfação para a nossa equipe. Mas é com frustração, muita tristeza e sobretudo constrangimento que relatamos a realidade que enfrentamos nos últimos meses”, relatou .
Conforme o Portal Sorriso MT vem denunciando, desde o ano passado o Governo do Estado não tem repassado mensalmente o valor integral para cobrir as despesas do hospital, que somam cerca de R$ 4,1 milhões por mês.
Foi necessário que o Ministério Público Estadual ajuizasse uma ação civil pública contra o Estado para que fossem pagos pelo menos R$ 3,1 milhões da dívida que já somava quase R$ 9 milhões. Saiba mais AQUI.
Com recursos insuficientes, o Hospital Regional de Sorriso tem se mantido aberto com as mínimas condições de atendimento e graças ao esforço redobrado de todos os profissionais.
Ainda de acordo com a “carta” do neurocirurgião Fernando Zuniga, “faltam pessoas em número e qualificação em todos os segmentos do hospital; UTI e Pronto-Socorro com falta de monitores e equipamentos; centro cirúrgico sucateado; serviço de esterilização sem profissionais qualificados e com equipamentos ultrapassados; e prestadores de serviços e fornecedores que suspenderam a relação comercial com a instituição devido a falta de pagamento”.
Como resultado, o prejuízo fica na qualidade do resultado do tratamento concedido aos pacientes de Sorriso e de outros 15 municípios da região Médio Norte.
“Não compactuamos com esta realidade, guardamos sempre a esperança de melhora, de poder voltar a oferecer uma medicina no mínimo decente e segura para quem precisa, mas colhemos apenas promessas sem resultados. O que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio do dos bons”, desabafou o neurocirurgião.
Confira o relato dele na íntegra:
CARTA INFORMATIVA
Iniciamos o serviço de neurocirurgia no HOSPITAL REGIONAL DE SORRISO (HRS) em outubro de 2014. No início daquele período, realizamos cirurgias de alta complexidade e elevado grau de dificuldade, que trouxeram imenso orgulho e satisfação para nossa equipe.
Mas é com frustração, muita tristeza e sobretudo constrangimento que relatamos a realidade que enfrentamos nos últimos meses. Atualmente, o Hospital Regional de Sorriso não apresenta as condições mínimas necessárias para uma prática de medicina digna e segura.
- Faltam pessoas em número e qualificação em todos os segmentos do hospital.
- UTI e PRONTO-SOCORRO com falta de monitores e equipamentos.
- Centro-cirúrgico sucateado (mesas, materiais , iluminação)...
- Irregularidade e descontinuidade no controle de higiene em todo o hospital.
- Serviço de esterilização sem profissionais qualificados e com equipamentos ultrapassados operando de forma não recomendada.
- Prestadores de serviços e fornecedores que suspenderam a relação comercial com a instituição devido a falta de pagamento.
As consequências de toda essa desordem, culminam em:
- Redução do número e da qualidade do serviço prestado
- Aumento alarmante do índice de infecção hospitalar, causando:
Prejuízo da qualidade no resultado final do tratamento
Prolongamento do tempo de internação e de sofrimento
Aumento dos riscos de outras complicações graves, inclusive morte.
Não compactuamos com esta realidade, guardamos sempre a esperança de melhora, de poder voltar a oferecer uma medicina no mínimo decente e segura para quem precisa, mas colhemos apenas promessas sem resultados.
Não aceitamos a ideia de que, por sermos de uma cidade do interior do Mato Grosso, devemos realizar uma medicina medíocre, ultrapassada e desumana.
Todo nosso conhecimento e tempo são dedicados numa luta constante na preservação da vida, e, quando não é possível, temos a obrigação de garantir a dignidade e o alívio da dor.
Colocamos aqui para conhecimento de todos que atualmente o HOSPITAL REGIONAL DE SORRISO traz muito mais risco que beneficio para os seus usuários, que esperam um tratamento médico adequado.
Se a responsabilidade desta triste e lamentável situação é do município, ou do estado ou simplesmente das grandes autoridades que assim nomeiam de “crise ? ? ?”, eu não sei dizer.... A única certeza que tenho é de quem esta pagando por ela... o Humilde que não tem outra opção de tratamento.
… o que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio do dos bons...
SORRISO, 30 de Janeiro de 2017
FERNANDO ZÚNIGA Neurocirurgia
Confira AQUI a reportagem completa no Cidade Alerta, programa da TV Sorriso (Record).