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Sírios que vieram para MT voltam ao Oriente Médio
Dificuldades encontradas com burocracia motivaram ida para outro País
A primeira família de refugiados sírios que veio para Cuiabá retornou ao Oriente Médio, depois de encontrar dificuldades para permanecer no Brasil.
A burocracia para revalidar o diploma do casal, que é formado em Medicina, foi um dos motivos principais para abandonar o País.
O casal Fadi Bali e Wafia Al Halabi e as filhas Mirelle Bali, de 10 anos, e Lida Bali, de 11, chegaram à capital mato-grossense em 30 de setembro. A expectativa era de que a família conseguisse emprego, escola para as crianças e se estabelecesse em Cuiabá.
Eles chegaram com garantia de um ano de moradia sem custo de aluguel, alimentação, vestuário, remédio, organização da documentação e outras necessidades secundárias atendidas.
Todo o suporte dado aos refugiados foi organizado pelos voluntários do “Grupo de Acolhimento aos Refugiados de Cuiabá-MT”.
A equipe de ajuda era liderada pelo empresário Vagner Giglio e sua esposa, Emily Ayoub Giglio. Além deles, outros voluntários também colaboraram com a ação.
Conforme o grupo, mesmo com todas as necessidades básicas atendidas, o casal sírio encontrou diversas dificuldades para continuar no País.
A pretensão inicial de Fadi Bali e Wafia Al Halabi era trabalhar como médicos - ele é radiologista e ela, anestesista. Porém, o diploma deles não dava direito a exercer o ofício em terras brasileiras.
Para conseguir revalidar o diploma, eles precisariam esperar cerca de dois anos.Enquanto isso, deveriam procurar outra ocupação em Cuiabá.
No entanto, os membros do grupo de auxílio aos sírios afirmam que encontraram complicações para achar um emprego para eles.
Desempregado, Fadi inscreveu-se em uma seletiva para uma vaga de médico no Catar, país na Península Arábica.
Entre as condições impostas para que ele conseguisse o emprego no país árabe, era necessário que informasse residência fixa. O homem, então, declarou que morava em Cuiabá.
“Mesmo com as dificuldades, estava indo tudo bem por aqui, até que um hospital do Catar aprovou o currículo do Fadi e ele foi chamado para trabalhar em uma condição salarial muito favorável”, explica trecho de comunicado do “Grupo de Acolhimento aos Refugiados de Cuiabá-MT”.
O médico sírio aceitou a proposta do hospital do Catar e seguiu para o país do Oriente Médio, ao lado da família, em 11 de janeiro.
Dificuldades
Durante os meses em que permaneceram em Cuiabá, os sírios enfrentaram algumas dificuldades no cotidiano.
Segundo o “Grupo de Acolhimento aos Refugiados de Cuiabá-MT”, a família teve problemas com o idioma, a cultura e a alimentação, em razão das diferenças entre o Brasil e os costumes da Síria.
Para tentar resolver a celeuma, a equipe de ajuda chegou a acionar tradutores voluntários que falavam o inglês e o árabe, com o objetivo de facilitar a estadia dos refugiados.
O grupo de ajuda informou que a família síria mostrou-se bastante grata a todo o auxílio recebido em Cuiabá.
Auxílio aos refugiados
O “Grupo de Acolhimento aos Refugiados de Cuiabá-MT” comunicou que deverá continuar acolhendo outras pessoas que precisarem de ajuda.
“Os refugiados são escolarizados, têm profissão e precisam apenas de trabalho. São pessoas que em pouco tempo passam a contribuir com o mercado produtivo e rapidamente se integram à sociedade”, afirma o grupo.
Os membros da equipe ainda agradeceram a todos que ajudaram na vinda e na permanência da primeira família de refugiados sírios que veio para a Capital.
“O grupo quer demonstrar gratidão a todos doadores que colaboraram para que essa família pudesse encontrar seu caminho para uma vida nova de recomeço e prosperidade. Só foi possível amparar essa família e outros refugiados graças ao sentimento humanitário que encontramos”, diz trecho do comunicado.
Outras famílias
Em dezembro, três novas famílias de refugiados da Síria chegaram a Cuiabá para morar e trabalhar. Eles também contam com auxílio do grupo de voluntários.
As três famílias são compostas por três irmãos, acompanhados de suas respectivas esposas e filhos.
O líder do grupo que auxilia os refugiados sírios, o empresário Vagner Giglio, explicou, à época, que conseguiu uma casa e empregos para eles.
Giglio explicou que conheceu os imigrantes quando foi a São Paulo, onde está a maior concentração de refugiados no País.
Ele foi à cidade para procurar sírios que estivessem precisando de auxílio para viver no País.
“Esse pessoal estava morando em uma garagem aberta e, quando chovia, tinha que jogar lona para não se molhar”, disse.
Em Cuiabá, as famílias de refugiados dividem a mesma casa, que está sendo mantida, a princípio, pelos voluntários.
Falta de apoio
Vagner Giglio criticou a falta de apoio do Governo aos refugiados.
“Em Mato Grosso, não há nenhuma política formada para ajudar os refugiados de outros países. Não adianta ter projetos que nunca são executados”, afirmou.
“Temos muitas dificuldades para manter os refugiados que estão aqui, mas mesmo assim bancamos tudo. Não há nenhum tipo de ajuda do Governo”, lamentou.
Na semana passada, representantes da Cruz Vermelha, da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e do Rotary Club elaboraram um documento para garantir direitos fundamentais aos refugiados.
O documento deverá ser encaminhado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Presidência da República.
A guerra
O combate na Síria obrigou metade da população a abandonar suas casas e segue sem previsão de fim.
O levante popular contra o regime do país ganhou expressão militar e se transformou em uma guerra civil, em que se enfrentam combatentes leais ao regime, diversos grupos rebeldes, frentes curdas e organizações jihadistas.
"Em represálias aos cristãos, eles estão matando as crianças na frente dos próprios pais. Isso é um absurdo, um genocídio. Este é um problema mundial e todos nós temos que ajudar e pedir um basta a esta calamidade", disse Vagner Giglio.
De acordo com um novo balanço do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), a guerra no país já deixou mais de 240 mil mortos. Desse total, 12 mil são crianças.