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Prostitutas faturam até R$ 1 mil por dia em Mato Grosso
Motéis e bares fomentam prostituição em ponto "estratégico" em Várzea Grande
Há dois anos, Dani Barros, de 26 anos, saiu de casa na cidade de Dourados (MS) para se prostituir em um dos maiores “bordéis” a céu aberto de Mato Grosso, localizado em Várzea Grande.
O Zero Quilômetro, historicamente conhecido por ser uma região violenta, funciona “full time”, ou seja, 24 horas por dia e reúne dezenas de prostitutas e travestis.
O dinheiro “fácil” e “rápido” atraiu Dani Barros, que diz que chega a ganhar R$ 1 mil por dia. Os nomes utilizados nesta reportagem são fictícios, escolhidos pelas próprias personagens.
A sul-mato-grossense faz de 8 a 10 programas em uma única tarde ao custo de R$ 100 a meia hora. Ela disse que possui clientes fixos, a maioria homens casados, que pertencem à "classe média alta", como políticos e empresários.
A família e a filha de apenas quatro anos não sabem que ela se prostitui e, por isso, prefere não divulgar seu verdadeiro nome.
À reportagem, que esteve no Zero Quilômetro durante a última semana para conhecer um pouco da vida das profissionais do sexo, Dani contou que começou a se prostituir logo depois que se separou do marido.
“As contas começaram a bater na minha porta. E, desesperada, aceitei o convite de uma amiga, ainda lá em Dourados, para fazer um programa. O dinheiro rápido atendeu às minhas necessidades e atende até hoje”, disse.
Dani trabalhou como prostituta em Mato Grosso do Sul durante seis meses. Ela saiu de lá, com a filha, para que a sua família não descobrisse a sua escolha.
Ela afirmou ainda que vê a a profissão como qualquer outra, mas que pretende sair, daqui a dois anos, quando terminar a faculdade de Educação Física.
“Antes de entrar para a prostituição eu tinha muito preconceito, como muitas pessoas ainda tem hoje. Mas depois que eu entrei, vi que não é assim. É só uma profissão, realmente. Pra mim, é uma profissão restrita até porque, quando chego na minha casa, esqueço tudo que acontece aqui, cuido da minha filha, faço janta, vou para a academia, para a faculdade, tenho uma vida normal, tranquila”, afirmou.
Questionada se já sofreu algum tipo de agressão durante um programa, Dani disse que não. Porém, revelou que muitas mulheres e travestis que se prostituem no Zero Quilômetro já passaram por essas situações.
“Eu sou nova aqui, e graças a Deus, nunca fui maltratada por ninguém, mas conheço várias que já foram. Mas, é o que eu digo sempre: é preciso ter jogo de cintura, saber com quem vai sair”, afirmou.
O comércio de prostituição no Zero Quilômetro começou com um posto de venda de combustível, na década de 60.
O estabelecimento servia como ponto de apoio de caminhoneiros em viagem.
Hoje, 50 anos depois, os caminhoneiros foram substituídos, em sua maioria, por homens casados e até aqueles que se apresentam socialmente como heterossexuais e que, só lá, assumem a homossexualidade reprimida.
Por conta da prostituição, vários motéis e bares foram instalados na região.
Durante o período em que a reportagem esteve no local, foi possível descobrir vários “mitos” e “verdades” da profissão.
Por exemplo, segundo as prostitutas, não há disputa de pontos, como a maioria pensa.
Elas garantiram não existir “cafetões”, aquelas pessoas que gerenciam a prostituição, muito embora a Polícia Militar desconfie dessa afirmação.
Afirmaram ainda, não ser usuárias de drogas.
“Vício”
A travesti Thaila Borges, de 34 anos, que faz programa no Zero Quilômetro a noite, há seis anos, recebeu a reportagem na sua casa, no bairro Panorama, em Várzea Grande.
Ela disse que a vida de prostituição é um vício, como beber e fumar. No Brasil, a prostituição não é considerado um crime.
“Gosto do que faço. E mesmo se conseguir arrumar um novo emprego, não pretendo parar”, revelou.
Thaila disse que descobriu seu homossexualismo aos 13 anos de idade.
“Não foi nada fácil e ainda não é, minha família não me aceita, tenho poucos amigos, faço programas para me sustentar, pagar aluguel, comida, roupas”, contou.
Ela descreve seus clientes como pertencentes à classe média alta e casados. Um programa simples, de 20 minutos, varia entre R$ 40 a R$ 50. Já um programa para casais pode chegar a R$ 200.
Existe, ainda, o programa que ela classifica como completo, cujo valor pode custar ao cliente até R$ 150.
De acordo com Thaila, sua renda pessoal pode chegar a R$ 10 mil mensais.
“Atendo, em média, 15 clientes por noite e o pagamento do programa é adiantado. O motel fica por conta do cliente e, na maioria das vezes, recebo gorjeta. Se o motel custa R$ 20 ou R$ 40, alguns clientes fixos me pagam R$ 100. Recebo o programa e me deixam o troco”, relatou, aparentemente satisfeita.
O maior desafio para quem trabalha nesse ramo, segundo a travesti, é o risco à própria vida.
“Não sei quem é a pessoa com quem saio. Eu avalio pela fisionomia do cliente. Se achar que é de confiança, eu entro no carro”, explicou.
Apesar de se cuidar e se prevenir, Thaila já sofreu ameaças e agressões.
“Recentemente fui abordada por três homens. Eles me colocaram em um carro, me abusaram e depois fugiram”, contou, com os olhos lacrimejados.