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Produtores rurais fazem acordo com MP para pagar R$ 480 mil por danos
O MPE acusa os produtores de ocuparem ilegalmente parte do Parque Estadual
Três produtores rurais de Vila Bela da Santíssima Trindade, que tiveram os bens bloqueados na Justiça, realizaram um acordo com o Ministério Público Estadual (MPE) se comprometendo a pagar R$ 480 mil por dano moral coletivo e material. Mais de 50 pecuaristas da região respondem a uma ação judicial por desmatamento.
O MPE acusa os produtores de ocuparem ilegalmente parte do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco. Ainda de acordo com o MPE, o desmate alcançaria os 18 mil hectares. Na semana passada, a Justiça autorizou uma decisão judicial que bloqueou mais de R$ 900 milhões em bens dos produtores, incluindo cabeças de gado.
O Termo de Acordo Judicial assinado pelos três produtores pretende promover a reparação integral dos danos ambientais que teriam sido causados no local. Segundo o MPE, assinaram o acordo Antônio Sanchez Filho, Karina Sanches Valério e Sabrina Sanches Andreotti, representantes do empreendimento Reunidas Serra Negra, Administração e Participações S/C Ltda.
Os três terão que arcar com o valor de R$ 104 mil, pela justificativa de dano moral, no prazo de até 90 dias e aproximadamente R$ 376 mil, por danos materiais, no prazo de até 11 meses.
Defesa
Em 7 de dezembro parte dos produtores afetados pela questão se reuniram em Cuiabá para discutir ações sobre o caso. Eles afirmaram, na ocasião, que estavam sendo “tratados como bandidos” e que deveriam entrar com processos para que houvesse o desbloqueio dos bens e do patrimônio.
Larissa Milan Zem, filha de um de um pecuarista do local, disse, à época, que não entendia a ação porque todas as terras de seu pai foram tituladas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que o governo estadual incentivou o desenvolvimento da região e que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegou a autorizar o desmate.
O produtor Zigomar Ferreira Franco afirmou que chegou ao local na década de 70 e que não entendia a decisão judicial porque ele havia comprado a área do estado de Mato Grosso com todos os registros necessários. Ele chegou a dizer que o “parque não existe”.
Ação
Os produtores foram responsabilizados pelo desmate na região após uma ação civil pública do MPE, que afirma que o local foi fundado em 1997 após um Decreto Estadual. O órgão ressalta que o parque apresenta alta prioridade para conservação da diversidade biológica, sendo de suma relevância a preservação do Rio de Guaporé, que é considerada um verdadeiro corredor de flora e fauna entre as bacias Amazônica e Platina.
O MPE também diz que, segundo informações da Promotoria de Justiça da Comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade, os desmatamentos teriam ocorridos após a criação do parque e ultrapassariam mais de 18 mil hectares, de acordo com dados fornecidos pela secretaria estadual do Meio Ambiente (Sema). (Com Assessoria)