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Presos curtem Carnaval exibindo 'dinheiro do tráfico' em selfies
Sindicato diz que o governo do Estado tem pleno conhecimento da situação e permanece inerte
Agentes penitenciários que trabalham na Penitenciária Central do Estado (PCE), a maior de Mato Grosso com capacidade para 891 presos, mas superlotada em mais de 200%, denunciaram ontem (9) que detentos da unidade comemoraram a folia de momo fazendo selfies (autoretratos) e exibindo dinheiro do tráfico de drogas que acontece dentro da penitenciária.
Em nota, o sindicato da categoria afirma que o governo do Estado, responsável por todas as unidades prisionais, através da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), tem pleno conhecimento da situação e permanece inerte.
O comunicado em clima de desabafo informa que os agentes da PCE entraram no raio 1, onde encontraram além de muita droga e dezenas celulares, “uma grande quantidade de dinheiro, o qual é fruto do tráfico de drogas dentro da unidade, que hoje conta com uma população carcerário de quase 2 mil presos”.
A existência de celulares e presos que utilizam smarphones de última geração para se comunicarem com comparsas que estão lá fora e também para publicarem fotos em redes sociais não é novidade, pois já foi divulgada pela imprensa em outras ocasiões. O consumo de drogas dentro da PCE também é de conhecimento das autoridades da segurança pública de Mato Grosso, uma vez que em praticamente todas as revistas que são realizadas, os agentes encontram entorpecentes, celulares e armas artesanais.
Dessa vez, no entanto, a novidade, conforme mostra a nota divulgada pelo Sindicato dos Servidores Penitenciários de Mato Grosso (Sindspen-MT), é que alguns presos estão “ostentando” e comemorando o carnaval através de fotos nas quais eles exibem o dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Um dos motivos que facilitam a entrada de objetos ilícitos na unidade, segundo o sindicato, é a falta de estrutura e equipamentos de trabalho.
O próprio Sindspen relata que para os agentes a sensação é de que se estão “enxugando gelo, pois sem o efetivo necessário não se tem como fazer as revistas constantes”. Dessa forma, esclarece o sindicato, “os presos acumulam drogas e celulares com facilidade, já que sem o aparelho de escâner corporal não se tem como combater a entrada de drogas que na grande maioria vem no corpo das visitantes”.
Outro lado
A Sejudh informo, por meio da assessoria de imprensa, que todo o sistema do Estado, no quesito segurança pública, está empenhado trabalhando na Operação Carnaval desde a quinta-feira (4) e isso inclui os servidores do sistema penitenciário.
Divulgou também um balanço parcial da operação encerrada ontem (9). Informou que somente na PCE foram apreendidos 184 celulares (sendo 42 somente na revista desta terça-feira), 150 chips de telefonia celular, 76 facas artesanais, 18 chuços, 500 trouxinhas de drogas, outras 39 porções de drogas e180 litros de cachaça.