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Porteiro da PGE admite que foi usado como “laranja” de delator
Sebastião Faria confirma à Delegacia Fazendária que emprestou nome para Filinto Muller
O porteiro Sebastião Faria confirmou ter “emprestado” seu nome para o empresário e delator da 4ª fase da Operação Sodoma, Filinto Muller, abrir a empresa S F Assessoria e Organização de Eventos, criada especialmente para facilitar a operacionalização do suposto esquema que teria desviado R$ 15,8 milhões dos cofres públicos.
A declaração consta do depoimento do porteiro à delegada Alexandra Fachone, da Delegacia Fazendária (Defaz).
O depoimento foi realizado durante as investigações de suposto esquema na desapropriação de uma área de 55 hectares no Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. A área, de acordo com a Defaz e o Ministério Público Estadual (MPE), custou aos cofres públicos R$ 31,75 milhões, dos quais metade do valor foi desviado.
À Defaz, Sebastião Faria - que presta serviços na Procuradoria Geral de Mato Grosso -, afirmou que emprestou seu nome e documento para Filinto Muller, seu conhecido, para a constituição da empresa, pois o delator estava com restrições em seu nome, “impedido de constituir empresas”.
“Portanto, houve uma troca de favores, ou seja, ajudou o Filinto e ele o ajudou também”, disse em seu depoimento, prestado em setembro.
Conforme o depoimento, Sebastião foi “agraciado” com a quantia de R$ 12 mil por ter atuado como “laranja” de Filinto Muller. O valor, segundo o porteiro, foi realizado em quatro parcelas mensais de R$ 3 mil.
O montante, segundo Sebastião Faria, foi usado para o custeio das despesas de sua mãe, que tinha câncer.
“Sendo que esses valores às vezes eram depositados em uma conta corrente do Banco do Brasil de Cáceres, que pertence a um amigo do seu irmão Valmir Faris, cujo nome não se recorda. Às vezes, recebia esse valor em espécie das mãos do Filinto, quando vinha a Cuiabá realizar algum ato em favor da empresa, como assinatura de cheques e demais documentos relacionados a empresa”, diz trecho do depoimento.
Dono de fato
Conforme o porteiro, ele conheceu Filinto por meio do seu primo, Jair Rodrigues Santana Braga.
Além disso, Sebastião disse que chegou a trabalhar na S F Assessoria, como ajudante em eventos e nos serviços gerais, como controlar estoque de bebidas.
Mesmo assinando cheques e documentos, o porteiro negou que tivesse conhecimento da real finalidade da empresa e do faturamento mensal da SF Assessoria.
“Quem poderá responder a todas essas indagações é Filinto Muller, que de fato é o proprietário e quem administrava a empresa”, declarou.
Sebastião Faria revelou que se encontrava com Filinto no escritório da empresa, que ficava no Bairro Goiabeiras, em Cuiabá.
Ainda em seu depoimento, Sebastião Faria declarou que, em maio, recebeu uma ajuda de Filinto Muller, no valor de R$ 10 mil, para a realização do enterro de sua mãe.
Por fim, o porteiro afirmou que não tinha mais contato com o delator da operação desde agosto deste ano, pois a empresa já teria sido desativada.