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Permínio Pinto chora e confessa que permitiu esquema na Seduc
Ele é acusado de ser o líder de esquema de propina e fraudes em licitações
O ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, foi interrogado em audiência da ação penal derivada da Operação Rêmora, na tarde desta quinta-feira (15).
A ação apura suposto esquema de propinas e fraudes em licitações que teria operado na Seduc. A audiência é conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
Em seu depoimento, ele chorou e afirmou que as denúncias do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) são parcialmente verdadeiras. O ex-secretário confessou que "permitiu" e se omitiu sobre o esquema e que também se beneficiou com um percentual do dinheiro arrecadado.
Permínio Pinto está detido no Centro de Custódia da Capital desde o dia 20 de julho e é acusado de liderar as negociações ilícitas.
Confira como foi a audiência:
Permínio diz que foi procurado por empresário
O ex-secretário disse que, em dezembro de 2014, antes mesmo de tomar posse na Seduc, foi procurado pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf.
"Ele me recebeu no escritório dele, se apresentou, disse que tinha sido o coordenador financeiro das eleições de 2014 e tinha participado da minha indicação para a Seduc. E aí, já como secretário, ele voltou a me procurar para ir ao escritório dele, anexo ao buffet, e assim eu o fiz".
"Ele me apresentou ao Giovani Guizardi [delator], fez algumas ponderações, inclusive que tinha feito investimentos consideráveis na campanha e que precisava ser ressarcido. Nesse mesmo dia, ele e o Giovani me apresentaram um plano para que o Giovani pudesse procurar os empresários prestadores de serviço da Seduc e pedir a eles parte dos seus lucros".
Na ocasião, o ex-secretário afirmou que disse a Alan Malouf que estava na vida pública há mais de 20 anos e nunca tinha participado de nenhum esquema, e que as pessoas o "tinham como referência".
"Disse a ele que tinha muito medo e ele me garantiu que isso seria feito de forma discreta e que eu seria preservado. Chamei a atenção dele, porque eu tinha me especializado para ser secretário de Educação e tinha chance ali de ter uma trajetoria política já para 2016 ou 2018. Ele sabia desse meu potencial e se colocou à disposição para coordenar até a eleição que eu pudesse disputar".
"Grande erro"
Permínio Pinto disse que cometeu seu "grande erro" ao permitir que Alan Malouf e Giovani Guizardi fizessem o esquema de arrecadação de propina e fraudes nas licitações.
"Eu permiti, omiti para que eles fizessem essas articulações que fizeram. Mas chamei a atenção deles para que não houvesse sobrepreço nas planilhas. Tanto que chamei o [Fábio] Frigeri [também preso], sabendo da competência dele, e pedi para que vigiasse as planilhas para que não houvesse superfaturamento".
"Meu erro foi a omissão. Eu sabia que o Alan tinha atuado como coordenador financeiro e que além de procurar espaços para prestar serviços, ele ia procurar empresários para ser ressarcido".
A juíza Selma Arruda questionou se foi o governador Pedro Taques (PDSB) quem mandou Alan Malouf procurá-lo para recuperar as doações feitas na campanha. Permínio disse que não.
"Ele me garantiu que ia me preservar, volto a repetir, meu erro foi a omissão".
Permínio chora
Permínio disse que nunca tratou da divisão do esquema com Alan Malouf e Giovani Guizardi, mas que recebeu um percentual dos lucros arrecadados.
"Ficou combinado com Alan que eu receberia uma parte para que eu pudesse fazer o assistencialismo político. Infelizmente isso acontece, esse é o grande motivo da corrupção no país. Mesmo fora do período eleitoral, você atende um presidente de bairro, por exemplo, e eles te pedem coisas, patrocínio de festa, enfim. Então essa parte vinha para fazer essa assistência, até pelo fato do meu desejo de ser candidato a prefeito. Mas eu quero deixar claro que nunca participei da divisão do percentual".
"Eu não tenho de cabeça o quanto eu recebi. Aproveitando, quero pedir desculpas para todos os mato-grossenses, principalmente para minha familia, em um novo interrogatório poderei apontar quanto recebi e logo depois ressarcir", disse, chorando.