Colisão frontal entre carreta e picape deixa dois mortos na BR-163 em Sorriso
Oficial Bombeiro depõe por mais de 4 horas
A delegada Juliana Chiquito Palhares investiga as denúncias de tortura
Depoimento de oficial do Corpo de Bombeiros dura 4h30 e, apesar de exaustivo, contribui para investigação que envolve a morte do aluno Bombeiro Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, ocorrida após treinamento em água, em novembro do ano passado.
A delegada Juliana Chiquito Palhares, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), investiga as denúncias de tortura e omissão de socorro, feitas pela família, que responsabiliza a tenente-Bombeiro Isadora Ledur de Souza pela morte precoce.
O tenente-coronel Marcelo Augusto Reveles de Carvalho, comandante do 1º Batalhão da Capital, estava presente na Lagoa Trevisan, no dia em que o pelotão B, composto por 37 alunos, entre eles Rodrigo, passaria pela prova de salvamento aquático. Reveles ministrava a disciplina para o pelotão A e participou da prova, junto com outro oficial responsável pelo pelotão C.
Foi esta prova que Rodrigo não conseguiu finalizar, depois de passar mal e sentir fortes dores de cabeça. Colegas disseram à família que Rodrigo, que tinha dificuldade no treino em água, foi submetido a diversas sessões de afogamento pela tenente durante o percurso.
Ledur não compareceu a oitiva, designada para a quinta-feira (2), na DHPP. Segundo o advogado dela, Huendel Rolim, fato ocorreu unicamente por problemas em sua agenda de trabalho. Por isso pediu que a oitiva fosse redesignada para outra data.
O depoimento da tenente deve ser o último do inquérito Policial Civil, que ainda não tem data para ser concluído. A previsão inicial era de finalização até 10 de fevereiro. Mas a tenente Ledur deve ser ouvida a partir do dia 13.
O Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado pela corporação, está sob responsabilidade do coronel Bombeiro Alessandro Borges Ferreira e deve ser finalizado nos próximos dias. Ambos procedimentos serão encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPE), que com base nas informações, se pronunciará denunciando ou não a oficial.
A mãe de Rodrigo, Jane Patrícia Lima Claro, acompanha a investigação de perto exigindo Justiça. “Entreguei meu filho saudável para participar de um curso que o prepararia para salvar vidas. Mas ele foi tirado da família por causa da violência de um superior. Isto tem que acabar antes que outros jovens morram”.
Rodrigo Claro morreu em decorrência de hemorragia cerebral cinco dias após o treinamento em água ocorrido no dia 10 de novembro.
O jovem deixou a lagoa antes do final do treino, com fortes dores de cabeça. Voltou sozinho em sua moto, pilotando os mais de 20 quilômetros até a sede do comando onde notificou os oficiais. Levado até a Policlínica do Verdão, passou a convulsionar. Transferido para hospital particular passou por cirurgia e morreu na UTI no dia 15 de novembro.