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Mulheres denunciam violência durante Carnaval
Em 2016 foram registrados 43.804 mil ocorrências envolvendo vítimas femininas
A violência doméstica tem movimentado a Central de Flagrantes da Capital neste Carnaval. Brigas e agressões em ambiente familiar levaram pelo menos seis acusados para Audiência de Custódia e sete mulheres pediram medidas protetivas contra companheiros, filho e irmão.
Uma das vítimas é a aposentada E.D.A., 70, que denunciou o filho alcoólatra, depois de ser ameaçada e agredida por ele. O pedreiro Vanderlei Salatori, 48, por pouco não foi linchado pelos vizinhos da vítima, que já não aguentam ver a mulher sendo ameaçada pelo filho. Policiais militares conduziram mãe e filho para a Central de Flagrantes e o suspeito foi autuado. A mãe, que pediu medidas protetivas, disse que quer que Vanderlei se submeta a tratamento médico para se livrar da dependência do álcool.
Outro caso envolvendo a dependência química resultou na prisão de Antônio João Francisco da Silva, 39, denunciado pela irmã depois de atirar contra ela uma lata de cerveja. A família estava em uma confraternização e por motivo fútil, logo ao chegar no local Antônio, já embriagado, partiu para a agressão. Segundo a vítima E.F.S., 32, o irmão fica agressivo pois além de álcool usa drogas.
O vaqueiro Fernando Marino da Silva, 29, foi acusado pela esposa M.A.A., 26, de tê-la agredido a socos e chutes, após uma briga por motivos fúteis. O casal convive há cinco anos e tem três filhos. Haviam passado o domingo bebendo com familiares em um balneário, na beiro do rio.
Em casa, alterado, passou a agredi-la e ofendê-la. Depois das agressões ele dormiu, quando ela avisou o irmão que acionou a Polícia. A vítima disse que nunca havia sido agredida por ele antes.
Um casal de surdo mudos também terminou na delegacia e o homem foi autuado na Lei Maria da Penha. Marcos Rodrigo dos Santos, 30, foi denunciado por vizinhos que flagraram ele agredindo a vítima a chutes e pontapés, ao tentar impedir que ela saísse de casa para pedir ajuda. Com a ajuda de uma intérprete, a vítima A.P.B., 27, falou que convive com o suspeito há sete anos e tem um filho de dois anos com ele. Diz que ele é truculento e já a agrediu anteriormente. Também pediu medidas protetivas.
No bairro CPA 2 a vítima chegou a desmaiar depois de ser agredida a socos e chutes pelo namorado com quem se relaciona há seis meses. Marino Francisco da Silva Júnior, 36, não foi localizado pela Polícia Militar, que foi acionada. Mesmo sem a prisão a vítima S.F.S., 36, pediu medidas protetivas contra o agressor.
Em 2016 foram registrados 43.804 mil ocorrências envolvendo vítimas femininas com idades entre 18 e 59 anos em Mato Grosso. Em 2015, foram 34.720 mil e em 2014 foram 29.229 mil registros. Os números foram divulgados pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).
Em relação às vítimas menores de 18 anos, em 2016, foram 10.645 mil ocorrências registradas no Estado. Em 2015 foram 8.493 mil casos e 7.451 casos em 2014.
Em todos os anos citados, as ocorrências mais registradas com vítimas femininas e menores de 18 anos foram de ameaça, com 55.016 mil casos registrados na somatória dos anos de 2014, 2015 e 2016, seguido de lesão corporal com 31.107 mil registros, também na soma dos três anos.