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Mulher que acusou "sumiço" de bebê pode ser indiciada, diz delegada
Delegada garante que L.M, 23, nunca fez exames de pré-natal, como afirmara em registro de ocorrência da Polícia Civil
A delegada Ana Paula Campos, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, afirmou, em entrevista ao Repórter MT, que a jovem L.A.C.M, 23, que acusou o Hospital Santa Rita de ter cometido um aborto forçado, nunca esteve grávida.
A delegada disse que L.M. não conseguiu comprovar, por meio de exames, que estava realizando um pré-natal desde o mês de março de 2016, como seu marido havia relatado no boletim de ocorrências, no dia 4 de janeiro, em Várzea Grande.
A mulher deverá ser indiciada pelo crime de denunciação caluniosa
Ana Paula Campos informou que um inquérito foi instaurado para apurar as denúncias feitas contra a unidade de Saúde, e que a jovem deve prestar depoimento à Polícia Civil, na próxima semana, para esclarecer se ela sofreu alguma espécie de gravidez psicológica. Ou se ela tentou tirar algum proveito do fato de estar grávida.
“Após o ocorrido, nós instauramos um inquérito para apurar a denúncia feita pelo o marido de L., por meio do boletim de ocorrência. Na próxima semana, ela deve ser interrogada, porque nós estávamos esperando juntar todos os documentos, exames e ouvir todas as pessoas que foram citadas por ela no ato da denúncia, para terminar o inquérito. No entanto, dá para afirmar que ela nunca esteve grávida”, explicou.
A delegada disse ainda que L.M., em nenhum momento, apresentou exames de pré-natal.
“Eu conversei com a médica que ela apontou como responsável pelo acompanhamento de pré-natal e ela disse que não atendeua mulher. Pelas nossas investigações, conseguimos identificar que ela nunca realizou exames de pré-natal. As informações que ela deu, durante o primeiro depoimento, dizendo que tinha feito exames em laboratórios, não batem. Nenhum exame apontou que ela podia estar grávida em 2016. Nós chegamos à conclusão que ela nunca esteve grávida”, completou.
A delegada disse que, a partir dessa fase do inquérito, L. M. passará de vítima a suspeita. Ela deverá ser indiciada pelo crime de denunciação caluniosa.
“Nessa fase do inquérito, eu posso dizer que ela passou de vítima para suspeita por denunciação caluniosa. Toda a informação que estava no boletim de ocorrência não foi comprovada por meio dos exames. Os hospitais Santa Rita e Jardim Cuiabá estão isentos de qualquer crime. Eles comprovaram que L. não estava grávida", disse.
Ao Repórter MT, a delegada disse não sabe se a mulher sofre algum tipo de doença psicológica.
“Isso eu não posso afirmar, se ela tem algum tipo de patologia ou não. Isso cabe à defesa dela apresentar a prova. Na minha opinião, eu entendo que ela é uma pessoa imputável, uma pessoa que responde pelo o que está fazendo", completou.
Entenda o caso
L.A.C.M. e o marido C.D.S.P. registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil, relatando que, no dia 3 deste mês, teria perdido o bebê de nove meses que esperava, após passar mal e ser medicada no Hospital Santa Rita, em Várzea Grande.
Ela teria sido atendida, primeiramente, por um médico que estaria saindo do plantão e que teria avisado a uma profissional que assumiu o caso de que a mulher estaria grávida, e já havia feito uma prescrição medicamentosa.
A médica plantonista passou outra medicação.
A “grávida” teria começado a sofrer de um sangramento vaginal e passou por ultrassom, que constatou que não havia nenhum bebê. A paciente foi liberada em seguida.
Ao chegar em casa, L. voltou a sentir dores abdominais e foi ao Hospital Jardim Cuiabá, onde a médica teria lhe informado que ela havia sofrido um “parto forçado”, o que é desmentido pelo diretor da unidade. L.M pode ser indiciada por falsa comunicação de crime.