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Mudança na rotina do pai pode ter contribuído para morte de criança
Delegado não tinha o costume de levar o filho para o colégio
A morte do filho do delegado Geraldo Gezoni Filho será investigada pela Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica). O menino foi esquecido pelo pai dentro do carro na tarde desta terça-feira (26), em Cuiabá. A morte pode ter sido provocada pela mudança na rotina diária do pai, algo comum a este tipo de acontecimento.
No velório, que acontece desde a manhã de hoje (27) na capela Jardins, na região central de Cuiabá, os pais e familiares da criança, que tinha apenas dois anos de idade, estavam muito tristes e inconformados com a fatalidade.
O delegado geral da Polícia Civil Adriano Peralta, que também estava no velório, diz que nesses casos o Código Penal já prevê um perdão judicial.
“Não existe pena maior que perder um filho. A própria lei já prevê um perdão judicial nesses casos, mas com certeza vamos apurar as circunstâncias do ocorrido. É muito triste”, disse o delegado.
Peralta ainda ressaltou que o episódio poderia ter acontecido com qualquer pessoa. “No caso específico, isso causou uma tragédia de proporção imensurável para a família. Hoje toda a Polícia Civil está recolhida ao luto”, declarou o delegado geral.
No velório, os pais da criança estavam muito emocionados e a todo o momento abraçavam e beijavam o filho, que estava dentro de um pequeno caixão branco.
Uma amiga da família contou que essa não era a rotina do delegado.
“Não era ele que fazia esse trajeto de levar a criança na escolinha. Então, não dá pra julgá-lo por isso. Ele mesmo já deve estar se culpando muito. É uma tragédia terrível infelizmente”, disse.
Além do delegado regional Adriano Peralta, outros delegados estiveram no velório, como Rogers Elizando Jarbas, que atua na Delegacia Fazendária, e a delegada Ana Cristina Feldner, titular da Delegacia Especializada do Consumidor (DECON). O desembargador Paulo da Cunha, presidente do Tribunal de Justiça, prestou solidariedade à família.
O caso
O menino foi esquecido pelo pai, após sua esposa ter pedido para que ele o deixasse na escolinha.
Essa não era a rotina do delegado, que por volta das 14 horas de terça-feira (26) estava levando o filho para escola. A criança dormia na cadeirinha no banco traseiro de seu veículo, quando ele foi acionado pelos policiais para se dirigir a delegacia que um detento o aguardava para ser ouvido e precisava voltar para o presídio.
Ele teria estacionado o carro no pátio e acabou esquecendo o filho dentro.
Depois de tomar todas as providências, no final do dia saiu da unidade com a intenção de buscar o filho na escola junto com a esposa.
Já no prédio onde o casal mora, a esposa ao entrar no carro, percebeu a criança desmaiada.
Eles tiraram o menino na tentativa de reanimá-lo, mas sem sucesso, seguiram para o Pronto Atendimento da Unimed, onde foi constatada a morte.
A equipe de plantão da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) foi acionada para atender ocorrência de liberação de corpo, no Pronto-Atendimento da Unimed, na Rua Barão de Melgaço, na capital.
O delegado era o plantonista do dia e teria entrado em contato com a delegacia e informado que seu filho tinha acabado de falecer e que fossem tomadas todas as providências para a liberação do corpo.