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Juíza marca audiências para ouvir vítimas de jornalistas
Selma Rosane Santos Arruda é a juíza responsável pela ação penal
Já estão definidas as datas das audiências de instrução e julgamento da ação penal contra os jornalistas do Grupo Milas de Comunicação que foram presos em março deste ano na Operação Liberdade de Extorsão acusados de praticarem extorsão contra autoridades e empresários cobrando até R$ 300 mil para não publicarem matérias denunciando supostas irregularidades em contratos firmados com o poder público.
A juíza responsável pela ação penal, Selma Rosane Santos Arruda, definiu os dias 16, 17, 18, 19 e 24 de janeiro para ouvir os depoimentos das vítimas e testemunhas de acusação e defesa arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelos réus.
Depois, as audiências prosseguem nos dias 27 e 30 de janeiro para os interrogatórios dos réus Antônio Carlos Milas de Oliveira, Antônio Peres Pacheco, Haroldo Ribeiro de Assunção, Maycon Feitosa Milas, Max Feitosa Milas e Naedson Martins da Silva. Eles são processados pelo crime de extorsão e alguns também foram denunciados por organização criminosa. Em maio, eles ganharam habeas corpus e passaram a responder ao processo em liberdade. No mês passado, o jornalista, Antônio Carlos Milas de Oliveira voltou a ser preso pelo mesmo motivo, acusado por crime de extorsão contra um empresário, vítima no esquema investigado pela Defaz.
As audiências estão marcadas para começar às 13h30 na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, no Forum da Capital. No total, são 11 vítimas da organização criminosa entre políticos e empresários cujos nomes constam nos autos. Entre eles estão o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf e o atual secretário de Fazenda de Cuiabá, Pascoal Santullo Neto.
Outra vítima do grupo é o empresário Willians Paulo Mischur, dono da Consignum, que pagou mais de R$ 17 milhões em propina para a organização criminosa chefiada por Silval e desmantelada na Operação Sodoma em setembro de 2015, na qual Mischur chegou a ser preso na 2ª, fase, mas virou colaborador, ganhou liberdade e passou a ser vítima.
O ex-governador Silval Barbosa será ouvido no dia 18 a partir das 13h30. Um ofício já foi expedido pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá endereçado ao Centro de Custódia da Capital (CCC), unidade prisional onde o ex-governador está preso desde o dia 17 de setembro de 2015 acusado de chefiar uma organização criminosa que também cobrava propina de empresários, esquema que foi desarticulado na Operação Sodoma.
Conforme o ofício, a direção do CCC deverá providenciar a escolta para conduzir Silval até o Fórum e lá permanecer até o término da audiência para levar o ex-governador de volta ao Centro de Custódia.
Relembre o caso
A Operação Liberdade de Extorsão foi deflagrada no dia 12 de março pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) para cumprir mandados de prisão preventiva contra 4 jornalistas do Grupo Milas Comunicação, além do editor chefe do Brasil Notícias, com sede em Brasília, no Distrito Federal, Naedson Martins da Silva.
Depois, também foi preso o auditor fiscal da prefeitura de Cuiabá, Walmir Corrêa, acusado de repassar informações sigilosas e privilegiadas aos jornalistas que por sua vez passavam a praticar extorsão contra as vítimas para não publicarem matérias denunciando supostas irregularidades em contratos com o poder público.
Contra os réus pesam acusações de coagir ex-políticos e empresários para que pagassem valores entre R$ 100 mil e R$ 300 mil para que fossem denunciados em “matérias jornalísticas” apontando possíveis irregularidade em contratos administrativos, corrupção ativa e passiva, entre outras negociatas.
Confira as datas das oitivas de todas as testemunhas e reus.