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Juíza: grupo liderado por Silval era parasita dos cofres públicos
Em decisão, Selma Arruda afirmou que organização viveu fartura com dinheiro do Estado
Parasitas. Foi com essa palavra que a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, classificou os alvos da Operação Sodoma 3, que investiga uma organização criminosa supostamente liderada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
Na decisão que originou a operação, proferida no dia 21 de março, a magistrada ressaltou que, assim como na Sodoma 1, deflagrada em setembro do ano passado, as investigações sugerem que novamente Silval seria o chefe do bando.
Segundo Selma Arruda, desta vez os alegados crimes seriam cometidos por meio de propinas mensais pagas por empresários que tinham a intenção de fechar ou manter contratos com o Estado.
“O caso presente revela a existência de um quadro caótico, protagonizado por uma organização criminosa especializada em praticar assaltos aos cofres públicos, que agiu anos a fio nos meandros do poder neste Estado, como verdadeira parasita, um monstro que se alimentava do dinheiro público, enfraquecendo a estrutura estatal em benefício da fartura arrecadada para seus próprios bolsos, disse ela.
A decisão culminou na nova prisão contra Silval e o ex-secretário adjunto de Administração, coronel José Jesus Nunes Cordeiro. Também foi preso o ex-secretário de Estado de Administração, Pedro Elias Domingos de Mello, e o ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Araújo.
Depoimentos apontaram “falcatruas”
A Sodoma 3 foi deflagrada após as revelações contidas no depoimento do empresário Willians Paulo Mischur, dono da empresa Consignum e alvo da Sodoma 2.
Também foi embasada na oitiva dos empresários Julio Minoru Tisuji e Evandro Gustavo Pontes da Silva, conduzidos coercitivamente na fase anterior da operação.
Mischur relatou que tinha que pagar propinas mensais de R$ 500 mil ao ex-secretário de Administração Cézar Zílio para manter o contrato da Consignum com o governo estadual.
Com a saída de Zílio, as propinas, em tese, passaram a ser pagas ao então secretário Pedro Elias, que supostamente repassaria os valores ao ex-governador. Ele também contou que era pressionado a aumentar o valor da propina pelo chefe de gabinete de Silval, Silvio Araújo.
Para Selma Arruda, os fatos narrados, aliados às investigações policiais, mostram que Silval, José Jesus, Silvio Araújo e Pedro Elias deveriam ser presos preventivamente, “diante da altíssima periculosidade [...] pouco importando as condições pessoais favoráveis que todos ostentam”.
“Delitos dessa natureza, em que se praticam desvios do erário público, têm como efeito o prejuízo ao desenvolvimento do Estado. Assim, quanto maior o valor da fraude, maior o estrago social [...] No caso em pauta, trata-se de verdadeira fortuna desviada de sua legítima destinação, que é a sociedade mato-grossense, em favor de poucos personagens, hoje milionários à custa de falcatruas”, destacou a juíza.
Ela ainda pontuou que diante do histórico dos membros da suposta organização criminosa, caso os investigados continuassem em liberdade haveria a possibilidade de continuarem a praticar os crimes.
“É óbvio que após angariar fortunas com a prática de crimes desta natureza, a organização criminosa é ainda mais forte e poderosa e, portanto, tem condições de perverter empresários e servidores que porventura ainda não tenham resolvido contar a verdade”, disse.
“Além do mais, é possível que, com a descoberta da prática de mais esses ilícitos, a organização resolva agir para prevenir que outros sejam descortinados, de modo a destruir provas ou amedrontar testemunhas”, complementou.