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Juíza diz que filho de Silval agia "nas sombras"; passaporte é confiscado
Rodrigo Barbosa também é suspeito de arrombar apartamento para destruir provas
A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, afirmou que o médico Rodrigo Barbosa agia nas “sombras” e nos “bastidores do poder” para blindar e proteger não só a si mesmo, como também ao seu pai, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), na arrecadação de milhões de reais em propinas.
A declaração está contida no mandado de prisão preventiva que a magistrada emitiu contra o médico, atualmente recluso no Centro de Custódia da Capital.
A decisão ainda determina a apreensão do passaporte de Rodrigo Barbosa. "A proibição de ausentar-se do País visa possibilitar o trâmite processual rápido e eficiente, bem como almeja evitar que o representado recorra aos Países em que se suspeita que tenha ocultado o proveito dos crimes", escreveu a magistrada.
Na decisão, ela também citou a denúncia de roubo de documentos relevantes para a investigação da Operação Sodoma, supostamente cometido pelo médico contra o também investigado e delator do esquema, o ex-secretário de Estado de Administração Pedro Elias.
O filho do ex-governador foi preso nesta segunda-feira (25), em seu escritório localizado na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Av. do CPA), em Cuiabá.
A defesa de Rodrigo, representada pelos advogados Valber Melo e Ulisses Rabaneda, contestou a decisão da magistrada, alegando que a prisão do médico foi induzida por uma "história", do ex-secretário de Administração Pedro Elias.
Conforme a magistrada, mesmo sem um cargo efetivo no Poder Executivo, Rodrigo Barbosa era um importante membro da cúpula da organização criminosa, liderada pelo seu pai.
Na qualidade de filho do ex-governador, segundo Selma Arruda, o médico era o responsável por arrecadar o dinheiro de empresários que mantinham contrato de prestação de serviços com o Estado.
“O investigado Rodrigo é um importante membro da cúpula da organização, eis que, na qualidade de filho do 'chefe', era quem se incumbia de arrecadar os milhões desviados. Tinha, ademais, mesmo sem ocupar formalmente qualquer cargo de mando naquela gestão, o poder de indicar Secretário de Estado e dele exigir o repasse da propina arrecadada”, afirmou a magistrada.
“Ao que tudo indica na representação, o indiciado Rodrigo agia na sombra, nos bastidores do poder, não apenas para manter-se blindado, como também para blindar e proteger seu pai/chefe, Silval da Cunha Barbosa”, completou.
Em sua decisão, Selma Arruda afirmou que a prisão preventiva é a única medida para a preservação da ordem pública, assim como da garantia da produção das provas.
“Frisa-se que a prisão preventiva é a única medida eficiente para se atingir o fim colimado na hipótese vertente de preservação da ordem pública, como também de garantia da instrução criminal e da aplicação da lei penal, visto que somente o total apartamento dos representado do convívio social é idôneo a prevenir a continuidade da atividade delitiva da organização criminosa, acautelar o meio social, bem como garantir a produção das provas”, disse.
Além disso, a magistrada alegou que a reclusão de Rodrigo Barbosa é necessária para barrar a continuidade de possíveis atividades delituosas do médico.
“As investigações revelam intensa atividade ilícita por parte dos representados, o que, certamente, impõe e exige das autoridades constituídas reação estatal apropriada, sob pena se sentirem incentivados a continuarem agindo contra a lei e a ordem”, afirmou Selma Arruda.
“Acostumado a agir nas sombras”
A juíza Selma Arruda citou em sua decisão a informação de que Rodrigo Barbosa teria furtado documentos referentes à compra de imóveis com dinheiro de propina.
O suposto crime foi noticiado pelo ex-secretário de Administração Pedro Elias, preso durante a mesma operação, no mês de março. Ele firmou termo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual (MPE) e, por isso, conseguiu sua liberdade, no dia 1º de abril.
Após se comprometer a entregar ao MPE os documentos que justificassem o acordo de delação, Pedro Elias, no dia 7 deste mês, alegou que não poderia apresentar todos os dados, pois algumas das provas teriam sido roubadas do apartamento vazio de propriedade de seu tio, localizado no mesmo prédio em que mora Rodrigo Barbosa, no bairro Popular, em Cuiabá.
Segundo o ex-secretário, o armário onde estavam os documentos teve a porta quebrada.
Com os argumentos apresentados pela Defaz e ratificados pelo MPE, Selma Arruda declarou ser possível a responsabilidade de Rodrigo Barbosa na invasão do apartamento e pelo sumiço de documentos, que poderiam colaborar com as investigações.
“Ora, se a acusação contra a organização criminosa for robustecida, certamente o prejuízo será muito grande, daí a possibilidade de que Rodrigo, como um de seus principais articuladores, já acostumado a agir nas sombras e de modo dissimulado, tenha sido mesmo o autor do furto dos documentos, já noticiado.