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Empresas de Sorriso apostam no Programa Ferramentas de Gestão Avançada
Evento de encerramento será realizado nesta quinta-feira (3)
Imagine uma empresa que reduziu a equipe de 17 para 13 funcionários e mesmo assim conseguiu aumentar a produção em 20%. Ou outra que, apesar do momento econômico brasileiro, ampliou sua área de atendimento e ainda investiu em um projeto de captação de água de chuva para reaproveitamento.
Esses são alguns exemplos relatados por empresários de Sorriso, cujas empresas aplicaram a solução Ferramentas de Gestão Avançada (FGA), disponibilizada pelo Sebrae em Mato Grosso durante o ano de 2015.
Depois de um ano de intenso trabalho e comprometimento, as 15 empresas – 13 de Sorriso e duas de Sinop - participantes chegam ao final desse ciclo com um evento de encerramento nesta quinta-feira (3), no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Sorriso (ACES).
O objetivo do FGA é aprimorar os processos de gestão, que são base da cultura da inovação. Com a ferramenta, empresários e equipes conseguem fazer um mergulho profundo no empreendimento, organizar processos, mensurar dados e usar todas as informações de uma forma estratégica visando um melhor desempenho.
Este ano, o Sebrae terá nova turma de FGA para empresas de pequeno porte (MPE) de Cuiabá.
A apresentação da solução será no final de março, com início dos trabalhos em abril (informações 0800 570 0800).
A gerente de Competitividade Empresarial, Eliane Chaves, destaca que o FGA trabalha de forma integrada com várias áreas, entre elas planejamento, marketing, finanças, pessoal, organizando tudo de forma sistêmica e permitindo a prática da chamada "gestão à vista”, possibilitando a empresa perceber exatamente onde está e onde quer chegar.
A empresa Chique Dog, de Sorriso, que em junho próximo completa 13 anos de mercado, implantou mudanças importantes ao longo do trabalho com a solução FGA. Segundo a empresária Nádia Wenzel, o maior legado do FGA foi o envolvimento de toda a equipe. "O FGA mexe com a empresa, tira a sujeira debaixo do tapete e deixa tudo mais claro”. Ela destaca o trabalho nas áreas de administração e financeira. "Nosso sistema de registros complicava o acompanhamento financeiro uma vez que todas as vendas apareciam como se fossem feitas a prazo, mesmo que tivessem ocorrido à vista”, exemplifica, satisfeita com a mudança.
Em 2015, a empresa atingiu um crescimento de 20% e a meta para 2016 é de crescer outros 20%. "A gente quer fazer parte dos que vão crescer esse ano”, diz categórica.
Médica veterinária, ela administra a empresa ao lado do esposo, Marco Antônio Kraener Wenzel, também veterinário. Além deles, mais dois veterinários integram a equipe composta por 17 funcionários.
Com uma carteira de cerca de sete mil clientes, não só de Sorriso, mas de outros municípios da região, a empresa se divide em quatro áreas: pet shop, onde são comercializados produtos como ração e utilidades em geral; clínica veterinária com atendimento clínico e cirúrgico, exames laboratoriais, ultrassom, raios-x, cirurgia ortopédica; centro de estética (banho, tosa e outros serviços do gênero) e o mais novo deles, creche, hotel e adestramento (CHA), serviço realizado não só na clínica, mas também em um hotel fazenda, localizado a 5 km do centro da cidade.
Sempre apostamos no mix de serviços para oferecer aos clientes praticidade e comodidade. "O animal entra na Chique Dog e faz tudo que precisa ali”, resume, revelando alguns investimentos importantes em inovação ocorridos nos últimos seis meses, como a compra de um soprador, que retira o excesso de água do pelo dos animais antes de irem para a secagem. O equipamento elimina o uso de toalhas, torna a operação mais segura do ponto de vista de sanidade animal, reduz custos na medida em que economiza água e outros insumos usados na lavagem das tolhas.
Ainda na linha da sustentabilidade, implantaram um sistema de captação de água de chuva, com capacidade para cinco mil litros, utilizados para lavar o canil e toda a área externa da empresa.
Com a ampliação do prédio, foi criado um centro de vivência para os colaboradores onde é desenvolvido todo o trabalho de capacitação.
Mas as inovações se estendem também para os serviços. Uma novidade são as consultas comportamentais para efetivar o treinamento dos animais de companhia que apresentam "problemas psicológicos”. "O veterinário está sempre cuidando da saúde física do animal, mas em alguns casos é preciso focar na parte comportamental”, explica e frisa: "nossa missão é trazer felicidade para as pessoas a partir dos animais de companhia”.
Nádia ressalta que desenvolvem um trabalho de pós-venda muito forte, incrementado ainda mais com o FGA. "Buscamos também os ‘clientes adormecidos’ e oferecemos nossos serviços”, conta, destacando que o atendimento com foco nas pessoas faz toda a diferença.
Satisfeita com os resultados alcançados, a empresária ressalta que necessitam continuar trabalhando muito para seguir melhorando. "Precisamos ainda fazer melhoria na descrição dos processos, na área de recursos humanos, especialmente na captação de currículos e entrevistas com futuros profissionais”, pontua.
Foco em resultados
Gerusa Pasini Rader, proprietária da Nutri Nature, que há seis anos produz pães e biscoitos (com um mix de 15 produtos), comercializados em Sorriso e região, abrangendo um raio de 800 km (de Sorriso a Tangará da Serra e chegando até Alta Floresta, no Nortão). A empresa também está encerrando o trabalho do FGA.
Segundo a empresária, participa de cursos e capacitações do Sebrae desde o primeiro ano da empresa, sempre buscando melhorias e ferramentas estratégicas para o desenvolvimento da empresa. "A grade do FGA nos encantou e vimos que conhecíamos pouco a empresa. A partir do momento que começamos a trabalhar com a ferramenta, começamos a avaliar o que poderia ser melhorado e percebemos a necessidade de mensurar os processos, indicadores visando uma gestão mais assertiva”, analisa.
Ao avaliar o trabalho, reconhece que a carga é pesada, com muitas reuniões, horas de consultoria, que exige muita dedicação, foco e determinação, mas vale a pena.
"Todo o trabalho resultou num aumento de produtividade e de produção. Reduzimos a equipe de 17 para 13 e mesmo assim tivemos um aumento de produção de 20%”, conta orgulhosa, acrescentando que a perspectiva de crescimento para 2016 é de 30%. Segundo ela, na área de recursos humanos, foram feitos muitos treinamentos, os processos foram melhores trabalhados, sempre com foco em resultados.
A empresa foi vencedora da etapa estadual do Prêmio MPE Brasil – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas e vai concorrer na etapa nacional em abril de 2016. Ela lembra que o prêmio trabalha cada etapa do FGA e destaca que gestão e planejamento são os pontos chaves para o sucesso. "Na Nutri Nature cuidamos de todo o processo, desde a criação do produto até passar no caixa do supermercado e chegar às mãos do consumidor. Tudo para garantir a qualidade do produto”, ressalta.
Atenção ao pós-venda
Sílvia Cella, proprietária e Responsável técnica do Laboratório de Análises Clínicas Cella, com 10 anos de mercado e 23 funcionários, também integra a lista de empresas de Sorriso que encerra o FGA. Na opinião dela, a ferramenta tira a equipe da zona de conforto e possibilita um acompanhamento mais aprofundado das metas, do que foi planejado. "Antes fazíamos o monitoramento, mas não era tão rígido e não usávamos as informações de maneira estratégica”.
O resultado, segundo ela, foi muito positivo. "Se a gente faz tudo certinho, dá certo. Nós superamos a meta estabelecida de faturamento”, conta sem detalhar valores, mas satisfeita com os resultados obtidos.
Com clientes em Sorriso e região, a empresa desenvolve um forte trabalho de pós-venda. "Toda semana, ligamos para 10% do total de clientes atendidos para verificar o nível de satisfação deles. Temos um formulário para fazer esse trabalho com método. Fazemos contato com os clientes no aniversário deles para cumprimentar e repassamos informações sobre exames e novidades no setor”, enumera.
A ligação da empresária com o Sebrae é antiga e começou ainda quando cursava a faculdade de Farmácia, em Curitiba. Em 1997 participou do Brasil Empreendedor e em 2005 fez o Empretec. Terminado o FGA, a empresa vai continuar com a consultoria Caso a Caso. "A tendência quando a gente acaba um trabalho como o FGA é dar uma relaxada e isso não pode acontecer”, conclui.