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Empreiteiro ligado a Silval recebeu R$ 300 mil de esquema, diz juíza
Empresa de Wanderley Torres recebeu combustível da Marmeleiro Auto Posto
A Delegacia Fazendária acusa a empresa Trimec Construções e Terraplanagem de ter sido beneficiada por cerca de R$ 300 mil, desviados do Governo no esquema investigado na Operação Sodoma 5, desencadeada ontem (14).
A informação consta na decisão da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
A Trimec pertence ao empresário Wanderley Fachetti Torres, “pessoa que mantinha um relacionamento estreito com o então governador Silval Barbosa”, segundo a juíza.
Na decisão, a magistrada determinou o bloqueio de R$ 300 mil das contas de Wanderley e de seu filho Rafael Yamada Torres, que é administrador da empreiteira.
“Wanderlei e seu filho Rafael teriam recebido a importância de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) em abastecimento da sua frota, mediante desvio de combustível, criminosamente praticado em desfavor da Secretaria de Transportes e Pavimentação Urbana de Mato Grosso”, escreveu a magistrada em sua decisão.
“A empresa Trimec, portanto, é apontada como uma das destinatárias dos desvios praticados pela organização criminosa”.
Em razão da suspeita, a magistrada determinou a condução coercitiva de Wanderley e Rafael para prestar esclarecimentos sobre os supostos desvios.
Ela também autorizou a realização de buscas em três endereços de Wanderley: um apartamento em Várzea Grande, um Cuiabá e um em Itajaí (SC).
A investigação concluiu que, entre outras fraudes, a “organização criminosa (...) durante o período de setembro de 2013 a outubro de 2014, manteve um esquema de inserção de consumo de consumo fictício de combustível, provocando desvio de receita pública para o enriquecimento ilícito de seus membros e dos empresários aos quais foi destinada parte do pagamento propina da SAD [Secretaria de Estado de Administração]”.
Conforme as investigações, a Trimec recebeu R$ 300 mil em créditos da empresa Marmeleiro Auto Posto Ltda., responsável por fornecer combustível para o Governo do Estado durante a gestão Silval, de quem recebeu R$ 233 milhões num período de quatro anos e meio. Os responsáveis pela empresa são acusados de pagar propina ao grupo de Silval.
Com as inserções a maior de combustível no sistema, a Marmeleiro devolvia parte do excedente em cartas de crédito para abastecimento posterior, segundo as investigações. No caso da Trimec, a empresa recebeu um crédito de R$ 300 mil para usar em sua frota.
Wanderley da Trimec, como é chamado o empresário, sempre foi considerado próximo de Silval Barbosa. Segundo dados do Fiplan (Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças do Governo do Estado), durante o Governo do peemedebista suas empresas receberam R$ 283 milhões do Executivo.
A Operação
A quinta fase da Sodoma foi deflagrada para investigar fraudes à licitação, desvio de dinheiro público e pagamento de propina a integrantes da gestão passada.
A propina teria sido paga por representantes da Marmeleiro e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática LTDA, em benefício da organização criminosa comandada por Silval Barbosa. Entre os presos nesta terça, está o advogado Francisco Faiad, ex-secretário de Administração do peemedebista.
Desde as primeiras horas de ontem, a investigação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e nove de busca e apreensão domiciliar, nos Estados de Mato Grosso, Santa Catariana e Distrito Federal.