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Comerciante se acorrenta a poste e ameaça colocar fogo no corpo se prefeitura não liberar baguncinhas
A mulher chegou a jogar álcool no corpo
A comerciante Dulciene Venturelli se acorrentou em um poste, na avenida Beira Rio, na manhã desta terça-feira (23) e ameaçou colocar fogo em seu próprio corpo, caso não seja liberada a presença de comerciantes em canteiros das principais avenidas da capital mato-grossense.
Os ‘baguncinhas’, que ficavam em frente a Universidade de Cuiabá (Unic) foram retiradas pela Prefeitura de Cuiabá. A mulher chegou a jogar álcool no corpo.
Pelo menos 40 comerciantes das imediações da Universidades de Cuiabá (Unic) e Cândido Rondon (Unirondon), na Avenida Beira-Rio – região Leste da Capital, realizaram protesto, nesta terça-feira (23), para receberem autorização da Prefeitura Municipal e voltar a trabalhar no local. A comerciante Duciene Venturelli, 49 anos, que possuía uma barraca para vender pão de queijo, chegou a extremo: se acorrentou no poste em frente ao portão principal da Unic e avisou que só sai quando receber autorização da municipalidade para voltar ao trabalho.
“Eu sustento minha família com o suor do meu rosto, com meu trabalho. Tenho uma filha viúva e uma neta que moram comigo. E não é justo o que estão fazendo conosco”, protestou Duciene Venturelli, que se auto-acorrendou por volta das 6h20 e não cedeu aos apelos dos amigos para soltar as correntes. Ela pediu que a filha levasse álcool para despejar em seu corpo, mas, por interferência de amigas, não foi obedecida.
Existem casos de pessoas que trabalhavam há até 21 anos no local, mas estão sendo retiradas pela Secretaria Municipal de Ordem Social. É o cumprimento de alterações no Código de Posturas e na Lei Municipal de Uso e Ocupação do Solo, aprovadas pela Câmara de Cuiabá e sancionadas pelo prefeito Mauro Mendes (PSB), em fins de 2015.
A presidente da Associação dos Comerciantes e Vendedores Ambulantes da Beira-Rio e Adjacências, Marlene Rodrigues Barbosa, afirmou que os comerciantes foram enganados pelos secretários Domingos Sávio Parreira, de Desenvolvimento Econômico; e João Batista Silva, adjunto de Governo e Comunicação. “Disseram que se preenchêssemos os requisitos, poderíamos trabalhar. Cadastramos na MEI [Micro Empreendedor Individual], retiramos o Alvará de Funcionamento e o Alvará Sanitário, considerado obrigatório, para trabalharmos. Alguém nos mentiu”, denunciou Marlene Barbosa.
A comerciante Marlene Jurkwicz, 48 anos, lembrou que há 18 anos trabalha na porta da Unic, vendendo lanche. “Se sair agora, nem sei o que vou fazer na vida”, lamentou ela. A também comerciante Cleudenice de Freitas também está há 18 anos e lamentou que a maioria dos comerciantes despejados estejam fora da idade de fácil acesso ao mercado de trabalho. “São homens e mulheres com mais de 40 ou 50 anos. Qual empresa irá contratá-los? Nenhuma! Hoje só contratam jovens”, emendou Cleudenice.
Os estudantes Felipe Camargo Lima, 20 anos, e Pâmela Caroline, 21, do 5º Semestre do Curso de Biomedicina da Unic, começaram coletar assinaturas nas primeiras horas da manhã. Nas primeiras horas, conseguiram coletar mais de 500 assinaturas e a expectativa é de passar de duas mil adesões até a próxima sexta-feira. As assinaturas serão enviadas para o prefeito Mauro Mendes e o Ministério Público de Mato Grosso.
Outro lado
O vereador Domingos Sávio (SD) afirmou que não responde mais pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico que, no trato com os comerciantes da Avenida Beira- Rio, apenas cumpriu a legislação. O secretário adjunto João Batista não atendeu nem retornou às ligações da reportagem do Olhar Direto.