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Caminhoneiros prometem 'parar' Brasília em prol de tabela mínima de frete
Outro ponto a ser reivindicado na capital federal é a obrigatoriedade da aplicação da tabela
Caminhoneiros de Mato Grosso e ao menos outros 19 Estados prometem “parar” Brasília (DF) nesta semana. A expectativa é que em torno de 250 caminhões rumem para a capital federal em prol da aprovação em caráter de urgência do Projeto de Lei nº 528/2015 que prevê a criação de uma tabela mínima para o frete do transporte de cargas. Outro ponto a ser reivindicado na capital federal é a obrigatoriedade da aplicação da tabela.
O manifesto dos caminhoneiros autônomos e empresas do setor de transporte de cargas deve acontecer amanhã (29) e quarta-feira (30).
Segundo membros da União do Transporte Rodoviário de Cargas, um movimento independente do setor, caminhoneiros de diversos estados encontram-se em deslocamento para Brasília. Está previsto manifesto na região dos Ministérios e na Avenida das Bandeiras, nas proximidades do Palácio do Congresso Nacional.
Há perspectiva de que ocorram manifestos nas principais cidades mato-grossenses e do país, porém até o momento nada foi confirmado. Caso haja interrupção do trânsito o mesmo será entre às 07h e 11h e das 13h às 17h nos dois dias de manifesto.
O setor do transporte de cargas, principalmente de grãos, vem passando por uma crise há três anos aproximadamente, tendo o “enterro do segmento” com a quebra da safra 2015/2016, onde somente entre soja e milho foram quase 9 milhões de toneladas a menos produzidas e transportadas e fretes baixos.
“A comissão organizadora do movimento da União do Transporte Rodoviário de Carga conclama o setor do transporte para ir à Brasília, bem como apoio daqueles que não podem ir. A Polícia Rodoviária Federal será comunicada sobre o nosso movimento, e no caso de Mato Grosso a Concessionária Rota do Oeste também. É um ato em prol do PL 528/2015 que prevê a criação da tabela mínima para o frete. Queremos que esse projeto tramite em caráter de urgência e caráter obrigatório a sua aplicação”, comentou na semana passada um dos membros da União do Transporte de Cargas, Gilson Baitaca, que estará em Brasília na próxima semana.
Baitaca salientou ainda para a reportagem que em caso de fechamento das rodovias os caminhões não deverão ficar em cima da pista e sim no acostamento, ficando apenas os caminhoneiros manifestando sob o asfalto.
Crise
Em 2015,os caminhoneiros em Mato Grosso chegaram entre os meses de fevereiro e março a bloquear as principais rotas de escoamento da produção de grãos. Em todo o país foram realizados manifestos em prol de melhores condições de trabalho e um frete que cubra os custos de produção.
Nos últimos anos o setor viu o preço do óleo diesel disparar, além de custos com manutenção do veículos, como pneus e oficinas, encargos e tributos. Somente em 2015 a Petrobras anunciou ao menos cinco reajustes de preço do litro do óleo diesel. Nas distribuidoras a alta chegou a cerca de 14,17% naquele ano.
De acordo com série histórica da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço do óleo diesel nas bombas para os consumidores entre outubro de 2013 e 2016 disparou em torno de R$ 28,6%. Em outubro de 2013 o preço médio pago pelo litro nos postos era de R$ 2,58 em Mato Grosso, enquanto em outubro de 2016 o valor ficou em R$ 3,32 em média. Em janeiro deste ano o litro era visto em média a R$ 3,26.