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Alan: Permínio e Guizardi discutiram detalhes de esquema em buffet
Empresário apontado como líder de esquema relata discussão sobre fraudes na Seduc
O empresário Alan Malouf afirmou que pelo menos três participantes do esquema de pagamento de propinas na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) participaram de uma reunião no Buffet Leila Malouf, na qual é sócio.
A declaração foi dada na última sexta-feira (16), em depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). O empresário foi preso no dia 14 de dezembro, durante a 3ª fase da Operação Rêmora, denominada Grão Vizir.
De acordo com Alan, que confessou ter se beneficiado com o suposto esquema, o ex-secretário Permínio Pinto, e o ex-servidor da Seduc, Fábio Frigeri se reuniram em sua empresa e começaram a reclamar do delator da operação, o empresário Giovani Guizardi – responsável por fazer as cobranças e receber a propina.
“Eles começaram a reclamar da atuação de Giovani Guizardi na materialização de alguns procedimentos junto a Seduc”, declarou Malouf ao Gaeco.
Alan relatou, ainda, que após as reclamações resolveu convocar Guizardi para participar da reunião.
Discussão
Conforme o depoimento de Alan, após a chegada de Guizardi, Permínio e Frigeri começaram a discutir com o delator.
“Eles começaram a discutir detalhes técnicos do esquema da Seduc”, disse Alan, garantindo que não sabe dizer especificamente o que tratavam na discussão.
Alan disse que durante o bate-boca entre os três, notou que Frigeri estava criando dificuldades para a materialização dos “esquemas” que eram executados por Guizardi.
“Pelo que me recordo, Permínio tentava demonstrar que não sabia do que Frigeri e Guizardi tratavam. Mas não me convenci disso”, afirmou.
O empresário ainda declarou ao Gaeco que com o término da reunião, acreditou que os outros três integrantes da suposta organização criminosa se “acertaram”.
Confissão
Alan relatou ao Gaeco que ajudou o governador Pedro Taques (PSDB) a pagar débitos não declarados de sua campanha eleitoral, em 2014.
Aos promotores de Justiça, o empresário disse: “Ao final da campanha, houve um débito de campanha não declarado, sendo que Pedro Taques me pediu apoio para o pagamento desse débito. Ajudei nessa composição, mas não me recordo, por hora, do montante”.
Alan relatou ao Gaeco que, em março ou abril de 2014, foi procurado por “seu amigo” Pedro Taques, em sua residência, ocasião em que o então senador lhe teria dito que gostaria de se candidatar ao Governo do Estado.
“Ele me solicitou ajuda no sentido de conseguir apoio de partidos e pessoas. O grupo de apoio à sua candidatura era formado por mim e outros empresários”, disse.
Segundo Alan, após vencer as eleições, Taques lhe perguntou se ele teria pretensão de ocupar algum cargo no Governo. Ele teria dito ao governador eleito que “não queria nada”.
Alan também disse aos promotores de Justiça que foi procurado por Giovani Guizardi, que é casado com sua prima Jamille Grunwaldi, que lhe relatou a ocorrência de um esquema na Seduc, com envolvimento de empresários do setor da construção e servidores da pasta.
“Ele me disse que havia descoberto um jeito de arrecadar o dinheiro referente aos pagamentos das dívidas da campanha do governador Pedro Taques. De pronto, eu recusei a participação no esquema. Mas, em uma segunda reunião com Giovani, decidiu aderir ao esquema deixando que ele gerenciasse tudo”, afirmou.
Alan Malouf também confessou que recebeu aproximadamente R$ 260 mil do esquema na Seduc, diretamente de Giovani Guizardi.
“Recebi o valor em três ou quatro vezes, por meio de envelopes contendo dinheiro que foram entregues em minha residência ou nas dependências da minha empresa”, afirmou.
Operação Rêmora
A denúncia derivada da 1ª fase da Operação Rêmora aponta crimes de constituição de organização criminosa, formação de cartel, corrupção passiva e fraude a licitação.
Na 1ª fase, foram presos o empresário Giovani Guizardi; os ex-servidores públicos Fábio Frigeri e Wander Luiz; e o servidor afastado Moisés Dias da Silva. Todos estão soltos.
Em maio deste ano, o juiz Bruno D’Oliveira Marques, substituto da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, recebeu a denúncia.
Nesta fase, são réus na ação penal: Giovani Belato Guizardi, Luiz Fernando da Costa Rondon, Leonardo Guimarães Rodrigues, Moises Feltrin, Joel de Barros Fagundes Filho, Esper Haddad Neto, Jose Eduardo Nascimento da Silva, Luiz Carlos Ioris, Celso Cunha Ferraz, Clarice Maria da Rocha, Eder Alberto Francisco Meciano, Dilermano Sergio Chaves, Flavio Geraldo de Azevedo, Julio Hirochi Yamamoto filho, Sylvio Piva, Mário Lourenço Salem, Leonardo Botelho Leite, Benedito Sérgio Assunção Santos, Alexandre da Costa Rondon, Wander Luiz dos Reis, Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva.
Na segunda fase da operação, foi preso o ex-secretário da Pasta, Permínio Pinto. Ele foi posteriormente denunciado junto com o ex-servidor Juliano Haddad.
Neste mês foi deflagrada a terceira fase da operação, denominada “Grão Vizir”, que prendeu preventivamente o empresário Alan Malouf, dono do Buffet Leila Malouf.
A detenção do empresário foi decorrente da delação premiada firmada entre o empresário Giovani Guizardi e o MPE, na qual Guizardi afirmou que Malouf teria doado R$ 10 milhões para a campanha de Pedro Taques no Governo e tentado recuperar os valores por meio do esquema.
A terceira fase resultou na segunda denúncia, que teve como alvos o próprio Alan Malouf, considerado um dos líderes do esquema, e o engenheiro Edézio Ferreira.