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Alan Malouf depõe e advogado diz que delação não foi cogitada
O empresário é acusado de ter participado de um esquema de fraudes na Seduc
O empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, prestou depoimento na tarde desta quarta (1º), na sede do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
O depoimento, relativo à Operação Rêmora, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações e propinas na Secretaria de Estado Educação (Seduc), durou cerca de uma hora. Malouf deixou o local sem falar com a imprensa.
Segundo o advogado Huendel Rolim, responsável pela defesa do empresário, o inquérito que motivou a oitiva do empresário está sob segredo de Justiça.
“Nós estamos respeitando o sigilo e vamos continuar assim até a liberação deste sigilo nas investigações”, afirmou.
O advogado acredita que o sigilo tenha a motivação de não prejudicar as investigações. Ele disse que não sabe se este inquérito envolve autoridades com foro privilegiado.
Quanto a possibilidade de Alan Malouf firmar um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, o advogado disse que esta hipótese, até o momento, não foi cogitada.
“Nós estamos trabalhando para constituir a defesa dele no processo e ele vai comparecer a todos os atos”, completou.
Denúncia
O empresário foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) na 3ª fase da Operação Rêmora, denominada “Grão Vizir”, que apura um suposto esquema na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) que supostamente fraudava licitações por meio da exigência de propina aos empresários que compunham o cartel.
Alan, que confessou sua participação, chegou a ser preso no dia 14 de dezembro passado, por decisão da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, mas foi solto 10 dias depois, durante um plantão judiciário.
Segundo a juíza Selma Arruda, responsável pela prisão do empresário, ele atuava como membro de liderança da organização criminosa e se beneficiava diretamente da propina arrecadada.
Na denúncia, Alan é acusado de ter articulado as fraudes ns Seduc para obter o "retorno" de cerca de R$ 10 milhões que teria doado - via caixa 2 - para a campanha do governador Pedro Taques (PSDB).
Na última terça-feira (31), a juíza da Vara Contra o Crime Organizado acatou a denúncia do MPE e o empresário, junto com o engenheiro eletricista Edézio Ferreira da Silva, passou a ser réu da ação penal.
Operação Rêmora
A denúncia derivada da 1ª fase da Operação Rêmora aponta crimes de constituição de organização criminosa, formação de cartel, corrupção passiva e fraude a licitação.
Os valores pagos a Giovani eram sempre em espécie e realizados no interior da empresa Dínamo, conforme exigido por Giovani.
Na 1ª fase, foram presos o empresário Giovani Guizardi; os ex-servidores públicos Fábio Frigeri e Wander Luiz; e o servidor afastado Moisés Dias da Silva. Apenas Frigeri continua preso.
Em maio deste ano, o juiz Bruno D’Oliveira Marques, substituto da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, recebeu a denúncia.
Nesta fase, são réus na ação penal: Giovani Belato Guizardi, Luiz Fernando da Costa Rondon, Leonardo Guimarães Rodrigues, Moises Feltrin, Joel de Barros Fagundes Filho, Esper Haddad Neto, Jose Eduardo Nascimento da Silva, Luiz Carlos Ioris, Celso Cunha Ferraz, Clarice Maria da Rocha, Eder Alberto Francisco Meciano, Dilermano Sergio Chaves, Flavio Geraldo de Azevedo, Julio Hirochi Yamamoto filho, Sylvio Piva, Mário Lourenço Salem, Leonardo Botelho Leite, Benedito Sérgio Assunção Santos, Alexandre da Costa Rondon, Wander Luiz dos Reis, Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva.
Na segunda fase da operação, foi preso o ex-secretário da pasta, Permínio Pinto. Ele foi posteriormente denunciado junto com o ex-servidor Juliano Haddad.
Em dezembro de 2016, foi deflagrada a terceira fase da operação, denominada “Grão Vizir”, que prendeu preventivamente o empresário Alan Malouf, dono do Buffet Leila Malouf.
A detenção do empresário foi decorrente da delação premiada firmada entre o empresário Giovani Guizardi e o MPE, onde Guizardi afirmou que Malouf teria doado R$ 10 milhões para a campanha de Pedro Taques no governo e tentado recuperar os valores por meio do esquema.
A terceira fase denominada "Grão Vizir" resultou na segunda denúncia, que teve como alvos o próprio Alan Malouf, considerado um dos líderes do esquema, e o engenheiro Edézio Ferreira, que passaram a ser réus.