Transporte coletivo gratuito garante acesso da população ao GAFFFF Sorriso 2026
Operação Efatá desmonta esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico em MT
Ação cumpriu 148 ordens judiciais e bloqueou mais de R$ 41 milhões em bens ligados a facção criminosa.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (3), a Operação Efatá, que cumpre 148 ordens judiciais em seis municípios do estado e no Mato Grosso do Sul. A ação tem como objetivo desarticular um esquema milionário de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas e da atuação estruturada de uma organização criminosa.
As diligências ocorrem em Cuiabá, Várzea Grande, Água Boa, Sinop, Primavera do Leste e também no estado vizinho. A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (Denarc), que identificou um complexo esquema financeiro composto por empresas de fachada e contas bancárias em nome de laranjas, utilizadas para ocultar valores ilícitos.
Durante a investigação, os levantamentos técnicos apontaram movimentações que ultrapassam R$ 295 milhões, sem qualquer comprovação de origem lícita. Apenas um dos investigados movimentou mais de R$ 295 milhões entre créditos e débitos. Para dificultar o rastreamento, os criminosos faziam fracionamento de valores, transferindo pequenas quantias entre contas de pessoas físicas e jurídicas, inclusive de familiares dos alvos.
Ao todo, estão sendo cumpridos 34 mandados de busca e apreensão, 40 medidas cautelares diversas de prisão, além do bloqueio de 40 contas bancárias de pessoas físicas e 19 contas jurídicas, até o limite de R$ 41,2 milhões. A Justiça também determinou o sequestro de imóveis e de 15 veículos usados pela organização.
A investigação contou com o apoio do Núcleo de Inteligência e do Laboratório de Lavagem de Capitais da Polícia Civil, que rastrearam o fluxo financeiro da facção e reuniram provas consideradas robustas. Durante o período de apuração, diversos integrantes da organização já haviam sido presos em flagrante pelo crime de tráfico de drogas.
O delegado da Denarc, André Rigonato, destacou que a operação tem como prioridade atingir a base econômica da facção. “Nosso objetivo é interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e ampliar o alcance das ações repressivas contra o crime organizado em Mato Grosso”, afirmou. A análise do material apreendido deve revelar outros envolvidos e novos desdobramentos do esquema.
O nome “Efatá”, expressão aramaica que significa “abra-te”, foi escolhido como uma metáfora para a revelação da rede criminosa que atuava sob aparência de legalidade empresarial. A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil dentro da operação Inter Partes, que faz parte do programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas, do Governo de Mato Grosso.
A operação também está alinhada às ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento ao Narcotráfico (Renarc), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A rede reúne delegados e promotores de todos os estados para fortalecer a atuação integrada e de inteligência no combate ao crime organizado em todo o país.